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    Temer fala de 'soviéticos' na Rússia e Lula critica castas na Índia; relembre gafes presidenciais no exterior

    DE SÃO PAULO

    27/06/2017 14h49

    Beto Barata/PR
    Moscou - Russia, 20/06/2017) Presidente do Brasil Michel Temer com Vladimir PutinCerimônia de Encerramento do Concurso Internacional de Ballet do Teatro Bolshoi. Foto: Beto Barata/PR ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
    Os presidentes Michel Temer e Vladimir Putin, em encontro na Rússia

    Não foram poucas as gafes cometidas por presidentes da República no exterior. Atordoado com a crise política pela qual vive no Brasil, o presidente Michel Temer e o Palácio do Planalto cometeram erros sequenciais desde a semana passada —antes, durante e depois da viagem oficial à Rússia e à Noruega.

    Antes de partir para a Rússia, para um encontro com o presidente Vladimir Putin e autoridades e empresários locais, a Presidência chamou o país de "República Socialista Federativa Soviética da Rússia". A alcunha passou a ser utilizada em 1917, quando o país se tornou uma nação socialista, e foi trocada para Federação Russa em 1991, pouco antes da dissolução da União Soviética.

    Já na Noruega, Temer se referiu ao rei local como "o rei da Suécia". Aparentando cansaço, o peemedebista disse que iria visitar o rei da Suécia e o Congresso brasileiro antes de deixar a Noruega: "Hoje, uma reunião com vossa excelência e mais adiante com o Parlamento brasileiro e um pouco mais adiante com sua majestade, o rei da Suécia".

    Em discurso nesta segunda (26) no Planalto, o presidente Michel Temer lembrou da viagem que fez à Rússia na semana passada, e se referiu aos empresários e empreendimentos locais como "soviéticos". "Estive agora em Moscou e verifiquei o interesse extraordinário dos empreendimentos soviéticos. O deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS) esteve lá e verificou o interesse de empresários soviéticos e noruegueses pelo que está acontecendo no país", disse.

    OUTROS PRESIDENTES

    A Rússia parece ser local de atração para gafes presidenciais. Em dezembro de 2012, durante viagem oficial ao país, a ex-presidente Dilma Rousseff arriscou uma piada e cometeu gafes em discurso ao lado de Putin antes de deixar o Kremlin.

    Ela citou caso folclórico de Garrincha na Copa de 1958, quando o craque recebeu instruções do técnico Vicente Feola num jogo contra a antiga URSS e perguntou se ele havia combinado com os russos. "Eu vim aqui para combinar com os russos", disse. A presidente foi corrigida por ministros ao errar o país-sede da Copa (que foi a Suécia) e o jogo (da primeira fase, não a final). Os brasileiros riram, mas Putin permaneceu impassível.

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também cometeu gafes históricas. Numa viagem à China, o Ministério das Relações Exteriores chegou a elaborar um manual para evitar erros tanto da comitiva presidencial quanto de empresários convidados. Uma das mais famosas foi quando o petista causou constrangimento ao dizer num discurso de improviso que Windhoek, capital da Namíbia, parece não estar na África, por sua limpeza e arquitetura.

    Antes dele, Fernando Henrique Cardoso também cometeu gafes. O ex-presidente tucano chegou a revelar uma delas numa audiência de depoimento ao juiz Sergio Moro. FHC contou que, numa ocasião, ele recebeu um presente e logo depois, sem perceber, deu de volta o mesmo objeto ao convidado. Em outra, presenteou a rainha Elizabeth 2ª com um pato com bico de prata. Ela perguntou "que pássaro é esse?". Ele, sem graça por não saber, disparou: "É um jaburu [ave branca de cabeça preta, mas também gíria que significa pessoa muito feia]". A rainha adorou o nome.

    Relembre abaixo algumas das gafes presidenciais no exterior:

    *

    Temer e os soviéticos

    Antes de partir em viagem oficial à Rússia, a Presidência da República chamou o país de "República Socialista Federativa Soviética da Rússia". O erro foi corrigido em seguida. De volta ao Brasil, em encontro no Palácio do Planalto, o peemedebista chamou empresários russos de "soviéticos".

    Na Noruega

    Aparentando cansaço, Michel Temer se referiu ao rei da Noruega como "o rei da Suécia".

    Isac Nobrega/PR
    Em busca de novos investimentos, presidente Temer desembarca na Noruega
    O presidente Michel Temer desembarca na Noruega para visita oficial

    Temer e falso Macri

    O presidente Michel Temer se enganou durante uma chamada telefônica. Ele pensava falar com o presidente argentino Mauricio Macri. Mas, na verdade, ele conversava com o jornalista Jorge García, da rádio argentina "El Mundo". Na curta conversa, o jornalista pergunta a Temer como ele está e o presidente responde. "Muito bem. Como está presidente?" Em seguida, Temer acrescenta: "Muito obrigado, presidente. Quero visitá-lo na Argentina".

    Bruno Santos/Folhapress
    A ex-presidente Dilma Rousseff participa de uma conferência na abertura da 3ª edição do Salão do Livro Político, no teatro Tuca, na PUC-SP
    A ex-presidente Dilma Rousseff

    Dilma e o futebol russo

    A ex-presidente Dilma Rousseff não conseguiu derrubar o embargo russo à carne brasileira, mas arriscou uma piada e cometeu gafes em discurso ao lado de Vladimir Putin antes de deixar o Kremlin. Ela citou caso folclórico de Garrincha na Copa de 1958, quando o craque recebeu instruções do técnico Vicente Feola num jogo contra a antiga URSS e perguntou se ele havia combinado com os russos. "Eu vim aqui para combinar com os russos", disse. A presidente foi corrigida por ministros ao errar o país-sede da Copa (que foi a Suécia) e o jogo (da primeira fase, não a final). Os brasileiros riram, mas Putin permaneceu impassível.

    Lula e a África

    O petista causou constrangimento ao dizer num discurso de improviso que Windhoek, capital da Namíbia, "parece não estar na África, por sua limpeza e arquitetura."

    Lula e a rainha

    Durante um banquete de gala oferecido pela rainha Elizabeth 2ª, em 2006, o ex-presidente Lula errou ao dizer da "contribuição do inglês Charles Miller" ao futebol brasileiro. Miller era paulista, filho de um inglês com uma brasileira.

    Lula e as castas na Índia

    Em 2004, Lula discusava na Índia quando, na parte improvisada, cometeu uma gafe. "O desafio colocado para nós é o de que não basta crescer para atender uma pequena casta da nossa sociedade", disse. A Índia é dividida em castas. A discussão do assunto com estrangeiros é vista com reservas no país.

    Lula pede brinde na Síria

    Aparentando cansaço, o brasileiro leu seu discurso até o final no jantar oferecido pelo presidente sírio, Bashar al Assad, e pediu "um brinde à felicidade do presidente. Fez-se o silêncio na sala do Palácio Damasceno. No jantar, eram servidos somente suco e água. Lula aquiesceu, cumprimentou Al Assad, sentou-se e o brinde foi cancelado.

    Marcus Leoni/Folhapress
    CURITIBA, PR, BRASIL, 10.05.17 14h Em Curitiba, Lula chega para depoimento com o juiz Sergio Moro. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, FOTO)
    Lula chega em Curitiba para depoimento ao juiz Sergio Moro

    Lula chama venezuelanos de bolivianos

    Em 2006, durante um comício, Lula se confundiu e chamou os venezuelanos que aguardavam seu discurso de "homens e mulheres da Bolívia". Foi corrigido pelo tradutor, e consertou a fala, dirigida aos "homens e mulheres da Venezuela".

    Lula chama Kirchner de Menem

    Durante o Fórum Social Mundial, no Rio Grande do Sul, o ex-presidente chamou o colega presidente Néstor Kirchner de Menem (1989-1999), a quem tinha criticado um pouco antes.

    FHC ressuscita a Tchecoslováquia

    Em 1994, ao saudar o encontro com o presidente da República Tcheca, o dramaturgo Václav Havel, FHC disparou: "É uma grande satisfação estar na Tcheco-Eslováquia". A Tcheco-Eslováquia, emblema da "cortina de ferro" e do comunismo defunto do Leste Europeu, não existe mais desde 1º de janeiro de 93, quando a Eslováquia e a República Tcheca se separaram.

    Giovanni Bello - 19.mai.2016/Folhapress
    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no Instituto FHC, em São Paulo
    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no Instituto FHC, em São Paulo

    OUTROS PRESIDENTES

    Aznar chama Brasil de Portugal

    Em 1997, o presidente do Conselho de Ministros da Espanha, José María Aznar, chamou duas vezes o Brasil de Portugal em seu discurso oficial, durante almoço oferecido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no Itamaraty.

    Chirac chama FHC de presidente do México

    O ex-presidente da França, Jacques Chirac, confundiu-se e disse a FHC, em 1997, que estava feliz em receber mais uma vez "o presidente do México". gafe, dita em francês, não passou despercebida pelo ex-presidente brasileiro, que mordeu os lábios no canto da boca, mas seguiu depois sorridente.

    Piñera erra o nome de Brasília

    O ex-presidente do Chile, Sebastián Piñera, cujas gafes eram recorrentes, chamou Brasília de Brasilea quando viajava para a posse de Dilma Rousseff. "Chegando em Brasilea para mudança de comando Lula-Dilma", postou no Twitter.

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