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    Há 100 anos, nascia Chacrinha, que virou colunista do 'Notícias Populares'

    ALEXANDRE POLLARA
    DO BANCO DE DADOS FOLHA

    30/09/2017 04h00

    Há 100 anos, nascia Abelardo Barbosa Medeiros. A seção "Saiu no NP" resgata neste sábado (30) o texto abaixo para lembrar a carreira e a passagem do "Velho Guerreiro" pelo "Notícias Populares":

    "De camisa esporte, cordão de ouro no pescoço e a cabeleira branca encaracolada a sair por debaixo do seu chapéu de "cowboy", José Abelardo Barbosa Medeiros, conhecido no Brasil inteiro como Chacrinha, chegou à redação do "Notícias Populares" naquela sexta-feira, 2 de abril de 1971.

    O apresentador de TV estava no jornal para assinar contrato de produção, diária, do "Jornal do Chacrinha", coluna destinada a informar seus fãs e leitores do "NP" as atividades do Abelardo Barbosa, além de trazer notícias sobre artistas, televisão e fofocas.

    "Chacrinha vem aí pondo pra rachar" foi a chamada do "NP" no dia 4 de abril de 1971 para anunciar o novo colunista do jornal.

    2.abr.1971/Folhapress
    Chacrinha assina contrato para escrever uma coluna no "NP", ao lado do Armando Gomide, diretor do jornal
    Chacrinha assina contrato para escrever uma coluna no "NP", ao lado do Armando Gomide, diretor do jornal

    O velho guerreiro, que já comandava na TV Globo os programas "Buzina do Chacrinha" e "Discoteca do Chacrinha", estreou sua coluna no "NP" em 8 de abril com o título "Como cheguei até aqui".

    "Foi há poucos dias. Entrei no edifício do 'Notícias Populares', a uma hora da tarde e disse umas palavras à secretária do seu Octavio Frias de Oliveira [publisher da Folha, morto em 2007]. Ela sorriu e disse que ia ver se ele podia me atender", disse o apresentador.

    Chacrinha tinha a vida agitada com os dois programas liderando audiência em vários Estados do Brasil. O jornal era mais uma forma de comunicação, afinal, como definiam os amigos, o apresentador era um homem que não sabia viver longe da informação.

    "Pouco depois de esperar, estava diante de mim aquela figura simpática e afável, que me tratava cordialmente, seu Frias, e talvez tentando adivinhar o que eu desejava. Animei-me e disse-lhe que gostaria de ver a minha seção jornalística. A reação foi mais favorável que se podia imaginar. Eu diria que seu Frias ficou satisfeito, reaaaalmente, com a minha ideia", escreveu Chacrinha.

    A conversa prosseguiu com os representantes do "Notícias Populares". Quando se deu conta, Chacrinha já estava integrado à equipe do "NP" e sentiu que todos topavam a sua participação no jornal.

    "Estou feliz de estar criando um elo com o povo de São Paulo num jornal que tem o gosto de povo, que sabe se comunicar com a maior plateia de leitores do Brasil e de tantos e tantos lugares onde este jornal chega, e como chega!", publicou em sua coluna inaugural.

    Chacrinha escreveu no "Notícias Populares" durante três períodos, sendo que o primeiro foi encerrado em 31 de dezembro de 1971 com o título "Ano Novo, com muito amor". Além da coluna, ele descrevia em notinhas desde o melhor calouro que ganhou um carro no programa "Buzina do Chacrinha" até o concurso da mais bela estudante de Brasília.

    Nascido em Surubim (PE), em 30 de setembro de 1917, Chacrinha descreveu no "Notícias Populares" um pouco das maluquices que fazia na TV, como um quadro que apresentava calouros dizendo "Vai para o trono".

    Em 21 de agosto de 1972, o colunista retornou ao "Jornal do Chacrinha", no "NP", escrevendo "A reza não deu certo". "E fica, então, o Abelardo Barbosa de vocês e o Chacrinha para o resto do mundo meditando naquela estória (sic) de crendices e apêndices. Funcionam ou não funcionam? Eu já vi coisa de arrepiar, por isso não dou palpites errando nessas coisas: ora essa, meu caro Lessa! O caso é que estou sabendo, agora, que a nossa encantadora Maria Bethânia apelou para todas as rezas para operar seu rico joelhinho. Mas, cadê que deu jeito, meu amigo do peito? A Bê vai ter de operar."

    A coluna no jornal foi também a representação de suas atividades, do início da carreira, quando se tornou locutor de rádio, até os programas de TV. Chacrinha exerceu talento único para a comunicação por meio de suas fantasias mais extravagantes e espalhafatosas. As fotos publicadas no "NP" apresentavam a baiana estilizada, o telefone gigante e a mulher-maravilha, entre outros.

    "A inveja matou Caim", coluna de 13 de maio de 1973, foi o título que marcou o fim de mais um período de Chacrinha no jornal.

    Esse momento marcou o que se tornaria o maior tempo em que Chacrinha passou afastado do jornal e também a época em que o velho guerreiro atuou em mais de dez filmes e se tornou um ícone da televisão brasileira, com programas que traziam as chacretes, dançarinas que faziam coreografias durante as atrações e tinham nomes diferentes, como Rita Cadillac, Fernanda Terremoto e Fátima Boa Viagem.

    Fora isso, Chacrinha, que também arremessava bacalhaus, farinha, abacaxis e pepinos durante o programa de TV, fazia soar a buzina de mão que usava para desclassificar os calouros nos concursos que promovia. Para compor o corpo de jurados, apresentou Pedro de Lara, Araci de Almeida, Elke Maravilha e muitas outras personalidades.

    Após sete anos longe do "Notícias Populares", o apresentador voltou no dia 23 de dezembro de 1980 para sua última temporada na coluna, agora chamada "Chacrinha no NP". O título "Buzina do Chacrinha especial do Natal" foi o início de mais um período trazendo as novidades do rádio, do cinema e da TV.

    Divulgação
    ORG XMIT: 461101_0.tif Televisão: o apresentador Chacrinha, comunicador que marcou história no rádio e na TV brasileira com programas de auditório durante as décadas de 50 e 80. (Divulgação)
    O apresentador Chacrinha

    Com o colunista Chacrinha, que tinha o hábito de apontar para o próprio nariz quando queria enfatizar algo, o "NP" passou a listar suas frases que se tornaram bordões rapidamente, como "Alô, Terezinha!", "Quem não se comunica se trumbica", "Na TV nada se cria, tudo se copia", "Eu vim para confundir e não explicar" e "Alô Dona Maria, seu dinheiro vai dar cria".

    Em 1987, Chacrinha festejou seus 70 anos com um jantar oferecido pelo então presidente da República, José Sarney. Durante o ano seguinte, o velho guerreiro sofreu com problemas de saúde e acabou substituído em alguns programas por Paulo Silvino e por João Kléber.

    Em 2 de junho de 1988, seu último programa "Cassino do Chacrinha" foi ao ar. Com um câncer de pulmão e após um infarto e insuficiência respiratória, Abelardo Barbosa morreu no dia 30 de junho de 1988.

    "O adeus ao velho guerreiro - Todo o Brasil chora a morte de Chacrinha" foi a capa do "NP" de 2 de julho. O jornal, que até então divulgara as colunas do Chacrinha diariamente em três épocas, fez questão de homenageá-lo publicando as últimas fofocas que o velho guerreiro deixara escritas até o dia 7 de julho de 1988."

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