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    Edgard Alves

    O nado em águas abertas

    27/07/2013 03h00

    A seleção brasileira de natação finalmente se consagra nas disputas em águas abertas no Mundial de Barcelona, na Espanha. Mostrou potencial, preparação adequada e experiência suficientes para subir ao pódio. Sem dúvida, a campanha aponta para a possibilidade de sucesso do Brasil nessa especialidade na Olimpíada de 2016, no Rio, embora a grade de provas do Mundial seja mais ampla.

    Nos Jogos Olímpicos, tanto no masculino como no feminino, o programa contempla apenas a maratona aquática, com extensão de 10 km. Esse ramo da natação passou a integrar o rol dos eventos da Olimpíada a partir de Pequim-2008.

    Já tendo asseguradas uma medalha de ouro, duas de prata e duas de bronze, o Brasil tem a chance de ir novamente ao pódio na etapa derradeira, hoje, quando Ana Marcela tenta o bicampeonato nos 25 km. Portanto, pode fechar a campanha no Mundial com até seis medalhas.

    É denominada competição em águas abertas por ter sua disputa realizada em mar, rio ou lago, o que faz do Brasil um paraíso para a modalidade, com os mais variados palcos. Ganha adeptos e desperta interesse principalmente em São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de Janeiro. O circuito nacional, com cerca de 180 participantes, contempla disputas em locais curiosos como Foz do Iguaçu, rio São Francisco, lago Paranoá (em Brasília), rio Amazonas e cidades litorâneas.

    Apesar das especificidades, a preparação dos atletas para provas em águas abertas se dá normalmente em piscinas, onde garante o maior controle das técnicas de nado. São treinos longos, de fundo, mais a ver com a metragem e ritmo das provas, sempre exigindo muita disciplina. Na piscina, o nadador desfruta da vantagem de dispensar equipes de apoio, com barcos, como ocorre durante as competições.

    O ponto alto da seleção nacional em Barcelona foi na maratona feminina (10 km), na qual obteve ouro e prata com Poliana Okimoto e Ana Marcela, respectivamente. Uma reviravolta na carreira de Okimoto, abalada desde a Olimpíada de Londres, no ano passado, ocasião em que a brasileira sofreu com um quadro de hipotermia, por causa da água gelada, e teve de ser socorrida. Em Barcelona, ela deixou clara sua categoria com a citada vitória. E ganhou ainda as medalhas de prata nos 5 km e bronze, nos 5 km por equipe, com Allan do Carmo e Samuel Bona. E Ana Marcela arrebatou ainda bronze nos 5 km.

    O Mundial tem sequência com a natação tradicional, em piscina, com os brasileiros envolvidos pela expectativa de como será a performance da seleção, que servirá de base para o planejamento aos Jogos do Rio. No masculino, conta com estrelas como César Cielo e Tiago Pereira, enquanto no feminino o cenário é menos empolgante, embora as mulheres tenham demonstrado competência nas águas abertas.

    edgard alves

    Jornalista esportivo desde 1971, escreve sobre temas olímpicos. Participou da cobertura de seis Olimpíadas e quatro Pan-Americanos. Escreve às terças.

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