• Colunistas

    Friday, 03-May-2024 06:38:40 -03
    Hélio Schwartsman

    Bolsonaro e a democracia

    14/11/2017 02h00

    Joel Silva - 17.ago.2017/Folhapress
    RIBEIRAO PRETO, SP, BRASIL- 17-08-2017 : O deputado Jair Bolsonaro durante palestra no centro de eventos em Ribeirao Preto, interior de Sao Paulo. ( Foto: Joel Silva/Folhapress ) ***PODER *** ( ***EXCLUSIVO FOLHA***)
    O deputado Jair Bolsonaro durante palestra em Ribeirão Preto

    SÃO PAULO - A democracia funciona? Sim, mas não pelas razões que gostaríamos. O que algumas décadas de pesquisas empíricas sobre o voto revelam é que o eleitor dificilmente faz suas escolhas comparando e avaliando racionalmente as propostas de partidos e candidatos. No mais das vezes, ele se deixa guiar por impulsos emocionais e lealdades grupais.

    Pode acontecer de o eleitor, diante da performance negativa ou positiva de um governo (e das reações emocionais que ela desencadeia), decidir puni-lo ou recompensá-lo. Esse é um fenômeno que, em algum grau, confere um pouco de previsibilidade ao processo eleitoral. Só que ele está longe de ser uma regra universal.

    Boa parte das administrações não é catastrófica ou brilhante o bastante para provocar uma tendência eleitoral irrefreável, o que deixa espaço para o aleatório. Regressões estatísticas mostram que o regime de chuvas e até ataques de tubarões afetam o comportamento do eleitorado.

    Por qual motivo, então, a democracia funciona? A resposta está na menos em eleições e mais na paisagem institucional que a acompanha, em elementos como "rule of law", liberdade de expressão e, principalmente, a alternância do poder.

    Eleições são relevantes porque ajudam a promover a alternância de forma pacífica e porque tendem a reduzir o radicalismo. Num pleito, as posições mais extremas em geral se anulam, favorecendo a moderação.

    A notícia dada pela Folha de que, no afã de evitar Lula, o tal de mercado (deixemos de lado sua conceituação) já namora a candidatura de Bolsonaro preocupa porque destruiria um dos poucos mecanismos virtuosos do processo eleitoral. Bolsonaro até pode tentar se disfarçar de liberal moderado, mas sua biografia escancara um radical, intervencionista e inimigo dos direitos humanos, isto é, das garantias fundamentais do indivíduo. Ele é basicamente tudo o que os mercados deveriam abominar.

    hélio schwartsman

    É bacharel em filosofia, publicou 'Pensando Bem...' (Editora Contexto) em 2016.
    Escreve às terças, quartas, sextas, sábados e domingos.

    Edição impressa

    Fale com a Redação - leitor@grupofolha.com.br

    Problemas no aplicativo? - novasplataformas@grupofolha.com.br

    Publicidade

    Folha de S.Paulo 2024