• Colunistas

    Tuesday, 24-Oct-2017 09:23:17 BRST
    Luiz Horta

    Maksoud Plaza permite viver um dia de adulto e 'jantar' drinques

    01/10/2017 02h00

    Divulgação
    Vão interno do hotel Maksoud Plaza
    Vão interno do hotel Maksoud Plaza

    Gosto tanto de saguões de hotéis quanto de aeroportos, locais especiais para a observação das pessoas em movimento. Mas os hotéis têm um charme adulto especial.

    Não há muitos lobbies parecidos com o do Maksoud Plaza, com a arquitetura espetacular do seu vão interno. E toda aquela atividade que ocorre no cenário: fiz a barba na ótima Man Lab (na navalha, como deve ser), comi meu club sandwich para esperar o jantar (e só jantei noutro dia, explico em seguida) e fui ao Frank Bar. Sempre voyerando os hóspedes, suas malas, suas atrapalhações de comédia francesa (Jacques Tati, conhecem?).

    Quando vim para São Paulo morei na Bela Vista, da janela via o hotel. Ao recém-chegado provinciano impressionava que tinha sempre movimento, a qualquer hora. Gente que entrava para um drinque, um show, uma taça da champanhota do café society, como era chique dizer.

    Nunca estive lá nesse período. Uma década atrás, procurando onde tomar um dry martíni na madrugada, só encontrei portas fechadas (São Paulo dorme sim, contra o que diz a lenda) e terminei me lembrando do hotel. Estava aberto, tinha martínis e tudo pareceu normal. Eram cinco da manhã (sejam benevolentes, algumas vezes na vida se quer beber um dry no meio da madrugada, sem mais explicações).

    Essa vontade cumprida no meio da noite é parte do que considero metrópole, e passei a respeitar mais São Paulo e o hotel.

    Agora, sexagenário, realizei um desejo de vida inteira, estive de verdade no hotel, imaginei subir no elevador com Bobby Short (fui possuidor de um LP triplo gravado ao vivo no club do hotel, que nunca mais encontrei) e me senti um Cary Grant.

    O famoso "La Cuisine du Soleil" já não existe mais, no cardápio do restaurante 150 se encontram alguns pratos do chef Léo Filho, uma estrela dos anos 1980. Comi os tournedos à maturini. Só de dizer "tournedos" já se pensa numa cozinha clássica, que ali, felizmente, não envelheceu. É o garantido, o imutável, sem surpresas.

    Tem gente que se sente segura em casa, ou na cama com a cabeça coberta (vontade que tem vindo com frequência para todo mundo, acho). Meu casulo são os grandes hotéis, com sua regularidade. O mundo pode desmilinguir, mas o room service vai trazer, na hora marcada, o café, o suco, os ovos no ponto que se pediu. As camas serão magicamente arrumadas, as garrafas vazias desaparecerão em silêncio, levadas por mãos invisíveis.

    Não é uma forma de perfeição?

    O serviço do Maksoud é admirável, gentileza e rapidez de funcionários que se nota estão ali faz muito tempo.

    Vendo a cidade de cima, com um par de coquetéis a mais (era meu aniversário, desculpem) tive rara sensação de pertinência. Mesmo contra minha vontade, algo em mim ecoa São Paulo.

    *

    Jantei drinques

    Fui conhecer a nova carta do Frank Bar. Fiquei no balcão, o melhor lugar, com poltrona muito confortável, uma mão enorme sustentando você no ar.

    Dela podia ver a atividade intensa do preparo das bebidas, perguntar sobre o que estava sendo feito e vigiar o lobby do hotel, "judge people" a atividade sedentária mais proveitosa do ponto de vista da diversão, ver gente em atividade.

    Pedi um Clarito, símbolo da boêmia portenha, o martíni que fala lunfardo, para depois comer no restaurante. Saí de lá seis drinques depois, não fui jantar naquela noite e voltei em outro dia.

    Sou um fã dos destilados, gosto de uísque single malt bem turfado, como Laphroaig, Talisker, Ardbeg. Mas vejo valor em drinques elaborados, capazes de retirar das bebidas outros sabores e nuances.

    Como estava no mundo adulto, culminei o dia com essa série de excelentes coquetéis (gosto tanto desta palavra meio em desuso).

    Não, não fiquei doidão. Não dei vexame. Não contei minha vida para o bartender nem chorei cantando Dolores Duran. Tomei notas, diligentemente, legíveis e encerrei a noite ali, apaguei na cama (com uma garrafa de água por drinque, não tive ressaca).

    Depois do Clarito, meu favorito foi o Chrysantemum (com uma infusão de macis, a película que recobre a noz-moscada) e em seguida, o Maverick Negroni, em que Jerez Manzanilla conversa com bitters e gim. Cada drinque custa R$ 35.

    O bar, desnecessário dizer, é sensacional, concentrado no que precisa, boa bebida e ambiente acolhedor. É sentar, beber e ver o mundo passar.

    *

    Vinhos da Semana

    Divulgação
    Vinhos da semana - 01/10/2017

    (1) Crossroads Milestone Series Sauvignon Blanc, R$ 165 (Vinho & Ponto).
    (2) Vallontano Extra Brut Luis H. Zanini, R$ 99,50 (Mistral).
    (3) Hermann Bossa nº1 Brut, R$ 49,90 (Decanter).
    (4) Henri Leblanc, R$ 49 (Grand Cru).

    *valores de referência

    *

    Maksoud Plaza
    Onde: r. São Carlos do Pinhal, 424, Bela Vista, tel. 3145-8000

    150 Maksoud
    Quando: todos os dias, das 6h às 10h30, das 12h às 15h (sáb. até 15h30) e das 18h à 0h

    Frank Bar
    Quando: de seg. a qua., das 18h à 1h; qui. a sáb., das 18h às 2h; dom., das 18h à 0h.

    luiz horta

    Viajante crônico e autor dos livros eletrônicos 'As Crônicas Mundanas de Glupt!' e 'Vinhos que cabem no seu bolso'. Escreve aos domingos.

    Edição impressa

    Fale com a Redação - leitor@grupofolha.com.br

    Problemas no aplicativo? - novasplataformas@grupofolha.com.br

    Publicidade

    Folha de S.Paulo 2017