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    Luiz Caversan

    Como ajudar pessoas com deficiência

    27/02/2016 02h00

    Você sabe como ajudar uma pessoa com deficiência física? Ou antes: você sabe quando uma pessoa com deficiência realmente precisa de ajuda? E, se souber, o que fazer diante de necessidades de pessoas que podem ter as mais diversas restrições: não enxergar, não andar, não ouvir, não falar, não ter habilidade com as mãos ou ainda portar mais de uma dessas possibilidades restritivas ao mesmo tempo?

    Difícil, não é? Principalmente para quem não tem ou não costuma ter contato com pessoas com deficiência, gostaria de ajudar, mas acaba se defrontando eventualmente com sentimentos que são um misto de impotência, medo, constrangimento.

    Pois estas questões vieram todas à tona esta semana e foram esclarecidas num clima descontraído e cordial num encontro muito bacana promovido pela Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), que reuniu de um lado atletas brasileiros que vão participar das Paraolimpíadas no Rio de Janeiro e de outros funcionários das empresas aéreas nacionais e também dos aeroportos. Ou seja, gente que de uma maneira ou de outra terá de lidar, neste ano, com um volume inédito de "pessoas com necessidades especiais" –expressão que, aliás, não se usa mais, como fiquei sabendo...

    Assim como também fiquei sabendo, em contato com a organização do evento e pelo relato dos atletas que deram depoimentos no encontro, uma porção de outras coisas que podem não apenas facilitar a vida de quem se defronta com a dupla questão: devo ajudar/como fazer?

    Uma das coisas básicas que aprendi é que a gente em geral tende a tratar pessoas com deficiências diferentes como se fossem todos iguais. Não, mesmo que aparentemente tenham a mesma restrição, seja ela nos membros ou na visão, por exemplo, cada uma é um universo particular, com capacidades diferentes e, portanto, necessidades diferentes também.

    Para ajudar a resolver estes dilemas, comuns a quem quer ou precisa lidar com pessoas que tenham restrições na locomoção, foi criado um slogan muito fácil de usar: "Como posso te ajudar?". Este também é o nome da campanha de esclarecimento destinada não apenas ao pessoal da aviação, mas ao público em geral, levando em conta que o Brasil possui cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, mais de 350 delas mil inseridas no mercado formal de trabalho.

    É simples assim: diante de uma pessoa com deficiência, seja qual for a restrição que ela aparente, o melhor a fazer é perguntar diretamente a ela: como posso te ajudar? Ninguém melhor para dizer se está precisando de ajuda, seja para encontrar um caminho, colocar uma bolsa no bagageiro interno do avião, servir-se de alguma comida, ser transportado de um lugar a outro, do que o própria pessoa. Ela dirá se precisa de ajuda e como você poderá ajudá-la. Se não precisar, cada um segue a sua vida...

    Importante notar que nem sempre a boa vontade e o voluntarismo podem ser a melhor solução em casos como estes, como ficou claro no encontro desta semana, onde foram relatados casos engraçados (ou desastrosos) de tentativas frustradas, que mais atrapalharam do que ajudaram.

    Portanto, o melhor é perguntar mesmo e, por via das dúvidas, obedecer as seguintes regrinhas básicas:

    - use sempre o termo pessoa com deficiência, não mais portadora, necessidades especiais ou qualquer tipo de sigla que possa designá-las;

    - na hora que estiver de fato ajudando alguém, pergunte se está fazendo a coisa da maneira correta ou adequada àquela pessoa -se está andando muito rápido, por exemplo;

    - ao falar com uma pessoa que não enxerga, dirija-se diretamente a ela, não ao seu acompanhante, e pegue em sua mão se quiser cumprimentá-la. Durante a conversa, não é necessário tocá-la, tampouco (isso é muito comum...) falar alto;

    - se você for guiar um cego, nunca pegue no braço ou na mão para conduzi-lo; ofereça você o seu braço e deixe que ele o pegue antes de começar a andar;

    - observe na pessoa que tem deficiência nos membros superiores se isso compromete sua capacidade de movimentos, impedindo-a de lhe dar a mão; na dúvida, cumprimente apenas verbalmente;

    - ao se dirigir a um cadeirante, você não precisa agachar nem falar alto ou como se fosse com uma criança;

    - mesmo que você esteja em um local adaptado, com sinalização de solo, rampas e equipamentos do gênero, observe se esses cuidados são suficientes para atender às necessidades da pessoa deficiente que estiver ao seu lado. Na dúvida –seja num avião, no trabalho, numa loja, na rua, num bar–, não tenha vergonha, pergunte logo:

    - Como posso te ajudar?

    luiz caversan

    Escreveu até abril de 2016

    É jornalista e consultor na área de comunicação corporativa.

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