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    Mercado Aberto - Maria Cristina Frias

    Mesmo em crise, Nordeste atrai investimento farmacêutico

    16/12/2016 02h59

    Apesar da perda de participação do Nordeste nas vendas de medicamentos no país, a indústria e as grandes varejistas do setor mantêm seus planos de investimento na região, afirmam executivos.

    Em 2017, a farmacêutica Sanofi vai direcionar investimentos em força de vendas e em publicidade de OTCs (remédios isentos de prescrição médica) à região, afirma Pius Hornstein, diretor-geral da empresa no Brasil.

    "O Nordeste tem um problema de falta de produtos nas prateleiras três vezes pior que no Sudeste. Temos que trabalhar em questões logísticas e em como chegar às farmácias menores."

    Um dos fatores que dificulta a distribuição na zona é a menor penetração das grandes redes de farmácias, cuja estrutura é normalmente utilizada pelas farmacêuticas para chegar a todo o país.

    As grandes varejistas, que detêm cerca de 50% do mercado brasileiro, têm presença menor na região, afirma Paulo Paiva, diretor da consultoria Close-up International.

    Para as redes, a crise não afeta o ímpeto de investir no local, diz Sergio Mena Barreto, presidente-executivo da Abrafarma, entidade do setor.

    "O foco continua, o Nordeste se destaca muito em relação a outras regiões já consolidadas, como o Sudeste."

    A venda de remédios na região cresceu 12,1% no acumulado de 12 meses até novembro. No Brasil, a alta foi de 15,7%, segundo a Close-up.

    "O Nordeste sentiu mais o impacto da crise, mas ainda tem o maior potencial de crescimento do país para as farmas", avalia Paiva.

    REMÉDIO LOCAL - Participação do Nordeste na venda de medicamentos do país, em %*

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    Incentivo à indústria de SP pode gerar aporte de R$ 8 bilhões

    Com a renúncia fiscal prevista no pacote de incentivo à indústria paulista, que será anunciado nesta sexta (16), o governo do Estado espera que as empresas beneficiadas invistam ao menos R$ 8 bilhões.

    Deverão integrar o programa companhias de grande porte dos setores automotivo, de máquinas e equipamentos, de cosméticos, entre outros segmentos.

    O valor total da renúncia fiscal não foi aberto.

    A projeção do governo é que, entre as montadoras, as medidas resultem em R$ 7 bilhões de investimentos -a lista de beneficiadas não foi revelada, por incluir companhias de capital aberto.

    Na indústria de maquinário, a previsão é de R$ 97 milhões de aportes e, na de higiene e beleza, R$ 1 bilhão.

    O governo também espera criar 12 mil empregos.

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    Papo virtual

    A Sanofi vai criar um serviço digital para apresentar seus estudos clínicos a médicos, afirma o diretor-geral da farmacêutica no Brasil, Pius Hornstein. Hoje, o contato é feito por meio de visitas físicas a consultórios.

    "Será um sistema híbrido. Os médicos mais jovens não querem receber representantes ao vivo. A nova plataforma faz parte de nosso plano estratégico dos próximos três anos para acelerar as vendas em todo o país."

    A abordagem on-line é utilizado por outras farmacêuticas que fazem esse tipo de contato com médicos, como a GlaxoSmithKline, onde as visitas presenciais a consultórios são feitas, em média, uma vez por mês.

    Em 2017, a companhia também deverá investir no desenvolvimento de plataformas digitais, que incluem podcasts e aplicativos.

    € 1,1 bilhão
    (cerca de R$ 3,9 bilhões) faturou a Sanofi no país em 2015

    3
    fábricas de saúde humana tem a empresa, que produz localmente 90% do que vende no país

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    Equação de risco

    A maioria (57%) das seguradoras brasileiras tem um programa para medir seu apetite por risco. Na prática, elas possuem método para saber quanto podem ter de perdas em relação ao capital.

    O dado é da consultoria EY, que considera a porcentagem baixa, se comparada a mercados mais tradicionais, como os da Europa.

    "Os riscos em questão são tanto os dos negócios, como quanto ela cobra de prêmios para garantir sinistralidade, até questões macroeconômicas, como juros", afirma Nuno Vieira, sócio da EY.

    A Susep (autarquia que controla o setor) implementou uma regulamentação para adequar o padrão brasileiro ao internacional.

    Até dezembro de 2017, as empresas precisarão ter uma estrutura para executar as mudanças. As seguradoras terão de montar um comitê formal, determinar o cálculo de seu apetite por risco e demonstrá-lo ao mercado.

    FOME POR PERIGO - Fatores comuns no cálculo de apetite por risco, em %

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    Química entre países

    O deficit na balança comercial brasileira de produtos químicos nos últimos 12 meses foi o menor registrado desde 2010.

    As importações superaram as exportações em US$ 21,8 bilhões (R$ 74,1 bilhões) entre dezembro de 2015 e novembro passado. Há seis anos, o excedente era de US$ 20,6 bilhões (R$ 70,1 bilhões).

    A queda nos preços das mercadorias devido à desvalorização do petróleo explica a desaceleração do deficit, que ocorre desde 2013, afirma Denise Naranjo, diretora de comércio exterior da Abiquim (do setor).

    "Enquanto o valor comercializado caiu, o volume cresceu. Os preços médios ficaram quase 20% e 28% menores nas importações e exportações, respectivamente."

    A projeção é que o desempenho no comércio exterior em 2017 seja semelhante ao de 2016, segundo Naranjo.

    "Tudo leva a crer que o deficit fique dentro do previsto neste ano, de cerca de US$ 22 bilhões (R$ 74 bilhões)."

    PRODUTOS QUÍMICOS - Comércio exterior brasileiro entre janeiro e novembro, em US$ bilhões

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    Hora do Café

    com FELIPE GUTIERREZ, TAÍS HIRATA e IGOR UTSUMI

    mercado aberto

    Maria Cristina Frias, jornalista, edita a coluna Mercado Aberto, sobre macroeconomia, negócios e vida empresarial.
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