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    Raul Juste Lores

    Reforma promete resgatar projeto original do edifício Prudência

    24/09/2017 02h00

    Leonardo Finotti/Folhapress
    Edifício Prudência, na av. Higienópolis, 235
    Edifício Prudência, na av. Higienópolis, 235

    Por muitos anos, reformas em prédios históricos causavam arrepios. Trocavam-se materiais nobres por cópias baratas e acrescentavam-se muros e guaritas sem a menor preocupação estética.

    Já o edifício Prudência, obra-prima da dupla Rino Levi e Burle Marx, deve ganhar um restauro valorizador. O jardim nos fundos, mutilado para criar mais vagas de garagem, será refeito. Os imponentes pilares marrons na entrada, que foram fechados com esquadrias nos anos 1970, voltarão a ficar livres, em obra que será comandada pelo arquiteto Gui Paoliello.

    O Prudência foi o primeiro grande condomínio da avenida Higienópolis. Concebido durante a Segunda Guerra, quando a elite ainda se negava a morar em apartamentos, o Prudência venceu preconceitos. Oferecia unidades com metragem de 315 a 350 metros quadrados e quatro dormitórios com paredes dispensáveis, permitindo rearranjos para quartos maiores ou menores. Belos armários de madeira serviam de divisória entre quartos e o corredor, com dois metros de largura.

    Criada em 1930, a Prudência Capitalização, Companhia Nacional para Favorecer a Economia era uma rara empresa autorizada pela ditadura Vargas a oferecer títulos de capitalização. Entre seus maiores acionistas, estavam a Usina Esther e as famílias Alves de Lima e Toledo Lara. O edifício foi vitrine da Prudência, mas o retorno financeiro não deve ter estimulado a empresa a produzir outros condomínios do estilo. Com problemas políticos e de caixa, teve sua licença cassada em 1959, pelo então presidente Juscelino Kubitschek.

    *

    Edifício Prudência
    (1944)
    Av. Higienópolis, 235

    raul juste lores

    É repórter especial. Já foi correspondente em Washington, Nova York, Pequim e Buenos Aires, e editor de 'Mercado'. Escreve aos domingos, a cada duas semanas.

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