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    Ruy Castro

    Lágrimas de triunfo ou fracasso

    10/08/2016 02h00

    Kai Pfaffenbach/Reuters
    2016 Rio Olympics - Judo - Final - Women -57 kg Final - Gold Medal Contest - Carioca Arena 2 - Rio de Janeiro, Brazil - 08/08/2016. Rafaela Silva (BRA) of Brazil celebrates. REUTERS/Kai Pfaffenbach TPX IMAGES OF THE DAY. FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS. ORG XMIT: ALP130
    A judoca brasileira Rafela Silva chora após conquistar a medalha de ouro na Rio-2016

    RIO DE JANEIRO - Chorar tem sido uma tocante forma de expressão na Rio-2016. Chora-se ao ganhar ou perder. Não estamos lidando somente com superatletas, mas com seres humanos na sua insuspeitada fragilidade. Na segunda-feira (8), a judoca Rafaela da Silva recebeu a medalha de ouro ao derrotar a lutadora mongol e chorou no pódio. A premiação redimia Rafaela de fundas humilhações no passado — uma delas por ter sido desclassificada em Londres-2012 e vítima de boçais agressões nas redes antissociais.

    No domingo (7), outra judoca, Majlinda Kelmendi, também chorou ao receber o ouro e se tornar a primeira medalhista de Kosovo, país que só há pouco conquistou sua independência — aliás, ainda não reconhecida pelo Brasil. Já o sérvio Novak Djokovic, tenista nº 1 do mundo e campeão de quase tudo que disputou, foi eliminado no torneio de simples pelo argentino Juan Martín del Potro e saiu chorando como um principiante que visse seu mundo cair.

    Foi o que deve ter sentido a esgrimista brasileira Marta Baeza ao ver rompido o ligamento do joelho esquerdo, ser obrigada a abandonar a luta contra a campeã polonesa e dar adeus à Rio-2016. Na tela, seu choro em close e em câmera lenta refletia mais do que a dor física.

    Outro choro, talvez o primeiro desta Olimpíada, foi o do nadador boliviano José Quintanilla, 19, ao simplesmente desfilar na cerimônia de abertura no Maracanã, na sexta-feira (5) — ele que, em sua cidade na Bolívia, não tem uma piscina de 50 m para treinar. E também comovente foi o choro do nosso ginasta Diego Hypólito. Ao ajudar, talvez pela última vez, a levar o Brasil ao seu melhor resultado na ginástica por equipe, suas lágrimas lavaram as derrotas em duas Olimpíadas anteriores.

    A ver se, nesta quarta (10), teremos lágrimas na seleção masculina de futebol contra a Dinamarca. Nem que sejam de vergonha.

    ruy castro

    É escritor e jornalista. Considerado um dos maiores biógrafos brasileiros, escreveu sobre Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda. Escreve às segundas,
    quartas, sextas e sábados.

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