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    Vaivém

    Exportação do agronegócio terá 2ª desaceleração em 15 anos

    20/12/2014 02h00

    As exportações do agronegócio vão registrar a segunda desaceleração em 15 anos. Após beirar US$ 100 bilhões em 2013, o setor deverá render perto de US$ 95 bilhões.

    A outra queda havia sido em 2009, quando, após os preços excepcionais de 2008, a balança sofreu os efeitos da intensa crise financeira mundial daquele ano.

    Os US$ 5 bilhões a menos que o agronegócio vai exportar farão falta no saldo da balança comercial, que deverá ficar negativo. Se isso se confirmar, será o primeiro deficit da balança comercial desde 2000, quando a conta foi negativa em US$ 697,7 milhões.

    Já o superavit do agronegócio, que era de US$ 9,8 bilhões em 1990, veio subindo continuamente, até atingir US$ 82,9 bilhões em 2013.

    Rodrigo Paiva/Folhapress
    Granja na cidade de Charqueada (SP)
    Granja na cidade de Charqueada (SP)

    O saldo menor do agronegócio neste ano se deve a uma perda de ritmo das exportações de alguns dos principais produtos brasileiros. Já as importações estão em queda.

    Projetando os dados apurados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior) até a segunda semana deste mês, dois dos grandes destaques nesse recuo das receitas são açúcar e milho.

    O cereal, após exportações acumuladas de US$ 6,3 bilhões no ano passado, deverá somar US$ 4,1 bilhões neste ano, com perdas de US$ 2,2 bilhões.

    A receita recorde do ano passado ocorreu porque o Brasil havia ocupado o vácuo deixado pela quebra de produção nos EUA. Tanto que as principais perdas de exportações deste ano ocorrem nos mercados do Japão, da
    Coreia do Sul e de outros países importadores de milho.

    As perdas com açúcar somam US$ 2,1 bilhões neste ano, apesar de uma pequena recuperação nas vendas neste mês. O mercado mundial caminha para uma oferta mais próxima da demanda, ao contrário do que ocorria nos últimos três anos.

    O fim desse deficit mundial derrubou os preços e reduziu a procura pelo produto. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) estima que, depois das exportações de 27,1 milhões de toneladas em 2013, o país coloque 24,6 milhões de toneladas no mercado externo neste ano. Enquanto o volume exportado deverá cair 9%, as receitas deverão recuar 19%.

    Mas, apesar do ano difícil da economia mundial, vários setores do agronegócio trazem um saldo maior de dólares para o país neste ano. Entre eles estão as carnes, que deverão atingir o recorde
    US$ 17,6 bilhões, acima dos US$ 16,8 do ano passado.

    Entre os motivos do avanço estão a disponibilidade de produto no Brasil e a elevação de preços. Ao contrário do que ocorreu em outros países produtores, que estão com produção mais enxuta, o Brasil ampliou a produção.

    O mesmo corre com o café, cuja liderança nas exportações é do Brasil. Neste ano, serão 36 milhões de sacas exportadas, com receitas de US$ 5,5 bilhões.

    O líder nas exportações do agronegócio, o complexo soja, mantém receitas de US$ 31 bilhões neste ano, patamar semelhante ao de 2013.

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    Cana A moagem de cana desta safra 2014/15 deverá ficar em 562 milhões de toneladas na região centro-sul, 6% menos do que na anterior, segundo Julio Maria M. Borges, da JOB Economia e Planejamento.

    Consumo As vendas de etanol sobem para 24,5 bilhões de litros, 8% mais do que na safra anterior. Já as de hidratado crescem 11% no período.

    Minério de ferro Os preços médios obtidos nas exportações deste mês estão em US$ 54 por tonelada, segundo a Secex. No mesmo período do ano passado, estavam em US$ 101. Com a queda, as receitas deste ano recuam para US$ 25 bilhões -15% a menos.

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    A coluna voltará a ser publicada em 6 de janeiro.

    Vaivém das Commodities

    Por Mauro Zafalon

    Vaivém das Commodities

    Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

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