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    Vinicius Mota

    Faz 37 anos que o Brasil parou de enriquecer e começou a andar de lado

    17/07/2017 02h00

    Zanone Fraissat/Folhapress
    Pessoas buscam trabalho em anúncios no centro de São Paulo
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    SÃO PAULO - O Brasil não sai do lugar. A sentença poderia descrever a paralisia de até dez anos esperada nos índices de enriquecimento nacional, com contagem iniciada em 2014. Já seria desgraça suficiente.

    Infelizmente, faz 37 anos que o Brasil parou de enriquecer e começou a andar de lado. Em 1980, os alquimistas da ditadura moribunda produziram a última fragrância artificial de "milagre econômico".

    No ano em que Moscou sediou os Jogos Olímpicos, cada trabalhador brasileiro empregado produziu o equivalente a US$ 28,6 mil em dinheiro de hoje. Esse valor era quase o triplo da produtividade de 1950.

    Ninguém infle o peito para cantar as glórias do Brasil Grande antes de constatar que a nação canarinha cursava a mesma trajetória de outros países cuja população migrava depressa da roça para a cidade. A produtividade dava saltos no Brasil, no México, na Coreia do Sul, na Europa meridional, na Cortina de Ferro e em tantas outras regiões periféricas.

    O desenvolvimento comparado continuou a ser padrasto das militâncias embasbacadas nos anos de letargia econômica que se seguiram. A inflação foi controlada, a pobreza diminuiu, a desigualdade salarial retrocedeu e a escolarização básica avançou não só no Brasil. Ocorreu em toda a vizinhança latino-americana, com exceção de casos de derrocada civil, como o da Venezuela.

    A fase da transpiração –os anos de boom decorrente da urbanização– acabou para muitos há cerca de quatro décadas. Foram poucas as nações que desde então conseguiram manter a marcha do desenvolvimento com base na inspiração, nos ganhos de eficiência do trabalhador já estabelecido nas cidades.

    O desafio se acentua com a aproximação de queda brutal na fatia de brasileiros em idade ativa. Os US$ 30 mil por trabalhador, marca que mal logramos romper faz 37 anos, poderão tornar-se símbolo do tempo em que éramos felizes, mas não sabíamos.

    vinicius mota

    É secretário de Redação da Folha. Foi editor de Opinião (coordenador dos editoriais) e do caderno 'Mundo'.
    Escreve às segundas-feiras.

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