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    Prefeitura vai ampliar rodízio em SP até abril

    ANDRÉ MONTEIRO
    DE SÃO PAULO

    09/01/2014 11h41

    O secretário de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, afirmou nesta quinta-feira que a ampliação do rodízio municipal de veículos deve entrar em vigor em março ou abril deste ano.

    A restrição, hoje vigente apenas no centro expandido, será ampliada para as principais avenidas que ligam a periferia ao centro da cidade. Serão ao todo 371 km de vias onde não será permitido circular nos horários de pico dependendo da placa do veículo.

    A mudança se baseia em estudo da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) divulgado nesta quinta-feira (9) que propõe aumentar a restrição para cerca de 400 ruas e avenidas que ficam fora do centro expandido –e hoje, portanto, têm o tráfego liberado.

    Serão incluídas na restrição avenidas como a Aricanduva (zona leste), Eliseu de Almeida (oeste), Inajar de Souza (norte) ou Washington Luís (sul), por exemplo. A restrição também vai atingir eixos viários importantes como a Radial Leste e o corredor norte-sul.

    Segundo Tatto, o objetivo da ampliação é reduzir o volume de veículos nas ruas, inclusive na periferia, para melhorar a fluidez do trânsito. "Ninguém gosta da restrição, o ideal é que não precisasse de restrição nenhuma. Mas existe um fato concreto que é a dificuldade de transitar na cidade de São Paulo pelo excesso de veículos", afirmou.

    "Isso é uma tendência no mundo, de começar a fazer algumas restrições para diminuir o número de carros. Tem cidades inclusive que implantam o pedágio, nós não temos essa opção."

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    EXEMPLOS DE VIAS ATINGIDAS PELO NOVO RODÍZIO

    ZONA LESTE ZONA OESTE
    Av. Aricanduva Av. Eliseu de Almeida
    Radial Leste Av. Francisco Morato
    Av. Águia de Haia Av. Lineu de Paula Machado
    Av. Jacu Pêssego Av. Escola Politécnica
    Av. São Miguel Av. Jorge João Saad
    ZONA NORTE ZONA SUL
    Av. Brás Leme Av. Roberto Marinho
    Av. Eng. Caetano Álvares Av. Roque Petroni Júnior
    Av. Inajar de Souza Av. João Dias
    Av. General Edgar Facó Av. Washington Luís
    Av. General Ataliba Leonel Av. Interlagos
    Av. Robert Kennedy
    Av. Senador Teotônio Vilela

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    ESTUDO

    O estudo foi feito com a ajuda de um programa de computador que simula os fluxos viários de toda a região metropolitana. Ele testou várias opções de ampliação do rodízio, em vigor desde 1997.

    Para chegar às ações de maior impacto no trânsito, foi analisado o reflexo de cada mudança na redução da lentidão e no ganho de velocidade nas principais vias.

    O estudo concluiu que o cenário mais vantajoso é manter o esquema de proibir dois finais de placa por dia e incluir na área proibida grandes avenidas que ficam fora do perímetro de 150 km² do centro expandido.

    A primeira versão do estudo, apresentada no ano passado, propunha ampliar a restrição para 240 km de vias, mas o estudo foi refeito a pedido do prefeito Fernando Haddad (PT). Na segunda versão, chegou-se aos 371 km porque houve a inclusão de toda a extensão das grandes avenidas, e não de apenas um trecho.

    A versão inicial do estudo apontava ganho na velocidade média do trânsito de 15%, enquanto o índice de congestionamento cairia em até 20%. Na nova versão, os benefícios são menores: ganho de 8,5% na velocidade média –de 18,9 km/h para 20,5 km/h– e redução de 13% na lentidão.

    A CET diz que a diferença ocorre porque foram alterados os parâmetros da simulação para que ela representasse melhor a dinâmica do trânsito com as novas faixas de ônibus, implantadas em 2013.

    O estudo considera que a ampliação vai dobrar a eficiência do rodízio atual, usando no cálculo variáveis como o tempo que o motorista trafega sem lentidão, a frota de veículos e a demanda por viagens.

    CONSELHO

    Segundo Tatto, a mudança poderá ser implementada por meio de um decreto, já que a lei municipal que criou o rodízio não especifica suas regras.

    O secretário disse que a proposta de ampliação será apresentada ao Conselho Municipal de Trânsito e Transportes, órgão consultivo e sem poder de veto. "Se o conselho falar que é contra o rodízio, na minha opinião nós vamos pensar duas vezes antes de implantar. Isso aqui não tem que ter açodamento, não é problema só de uma administração. Depois que implanta nunca mais tira, é difícil acabar. Vamos fazer com calma", disse.

    A fiscalização das novas vias restritas deverá ser feita por meio de radares com tecnologia de leitura de placas. Questionado sobre o início das multas, Tatto disse esperar que comecem em um segundo momento, mas ainda no primeiro semestre.

    "Não precisa partir do princípio de que precisa de fiscalização [para o motorista] deixar o carro em casa", disse.

    A sinalização das novas vias restritas será feita por meio de placas e símbolos pintados no asfalto. Uma das ideias, que ainda dependem de aprovação do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), é pintar um "R" no início e no fim das áreas de rodízio. O símbolo foi inspirado no "C" do programa de pedágio urbano de Londres.

    Segundo Vicente Petrocelli, gerente de Planejamento Viário da CET, a implantação da sinalização deve levar de dois a três meses, tempo necessário para a elaboração de projetos e confecção de placas. "Para a implantação da sinalização, em alguns casos vai se exigir algumas pequenas obras, alguma adequação geométrica", disse.

    COMPORTAMENTO

    O secretário disse esperar que os motoristas atingidos pela nova restrição mudem de comportamento e passem a usar transporte público. "Todos nós sabemos que são medidas paliativas, o que tem que ser feito é investimento em transporte público e que as pessoas cada vez mais deixem o carro em casa", afirmou.

    "As cidades vão criando regras para tentar garantir uma mobilidade razoável. Agora, nós sabemos que essa medida, daqui a cinco anos, dez talvez, o efeito dela é muito pequeno. A solução é evitar o uso do carro quando não tem grande necessidade e investimento pesado em transporte público."

    Como restrição será ampliada apenas para as avenidas, será possível cruzá-las para trafegar de um bairro para outro sem infringir o rodízio. "Não tem necessidade de restringir no bairro. Imagina a pessoa estar em um bairro distante, ir na padaria, aí passa um agente da CET e multa. Ele não está atrapalhando a vida de ninguém, para que fazer isso?".

    Para Tadeu Leite Duarte, diretor de planejamento da CET, "o problema não está na viagem curta, está na viagem longa". Ele afirma, inclusive, que nos locais em que não for possível cruzar de um bairro a outro sem percorrer algum trecho curto das vias restritas, o percurso será liberado.

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