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    Crise da água

    Seca em região onde água é retida transforma reservatório em pasto

    ARTUR RODRIGUES
    ENVIADO ESPECIAL AO VALE DO PARAÍBA

    14/08/2014 02h00

    Os moradores da cidade de Redenção da Serra (a 174 km de SP), no Vale do Paraíba, têm a impressão de que voltaram no tempo, antes da criação do reservatório de Paraibuna, há cerca de 40 anos.

    Há aproximadamente dois meses, o trecho da represa que corta a cidade secou. A área onde antes barcos de pesca dividiam espaço com jet skis virou pasto para vacas.

    Uma antiga estrada de terra reapareceu na estiagem e voltou a ser usada por motoristas da região.

    "Até maio, havia água. Houve até um campeonato de canoagem", diz o enfermeiro Benedito Ramos, 40, nascido na época em que a represa foi criada, para ajudar a resolver os problemas de enchentes na bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul.

    Ernesto Rodrigues/Folhapress
    Represa de Paraibuna na cidade de Redenção da Serra (a 174 km de SP)
    Represa de Paraibuna na cidade de Redenção da Serra (a 174 km de SP)

    A seca na região virou tema de disputa entre órgãos federais e estaduais.

    A Cesp (Companhia Energética de São Paulo) insiste em limitar a quantidade de água enviada da represa do rio Jaguari, onde ela opera uma usina hidrelétrica, ao rio Paraíba do Sul.

    O argumento do governo Geraldo Alckmin (PSDB) é que o abastecimento humano tem prioridade sobre o fornecimento de energia.

    Já o ONS (Operador Nacional do Sistema), que regula o setor elétrico no país, quer que a companhia aumente o envio de água da usina.

    O órgão afirma que a contenção prejudica a geração de energia e pode levar a um "colapso" no abastecimento de água de cidades do Rio e do interior de São Paulo.

    Principal reservatório do Vale do Paraíba, o Paraibuna está com 13,24% de sua capacidade de armazenamento.

    De acordo com relatório do ONS, é um dos três reservatórios na bacia que podem secar até novembro –os outros são Santa Branca e Funil.

    PREJUÍZO

    Em Redenção da Serra, moradores afirmam que ainda não falta água na torneira. No entanto, dizem que o impacto econômico é grande.

    "Sem os turistas, o movimento caiu pelo menos 50%", diz o comerciante Rodolfo dos Santos, 26. Ele é dono de um bar que fica próximo a uma região da represa que costumava ser frequentada por adeptos dos esportes aquáticos e pescarias.

    Dono de um restaurante próximo da represa, Venâncio Antunes dos Santos Junior, 52, guarda fotos dos últimos 20 anos da represa, em tempos de muita e pouca água. Ele afirma que, no final da década de 1990, o reservatório também secou.

    "Só foi encher novamente sete anos depois", afirma ele, que também tem registrado prejuízos com a estiagem. "A única solução para o problema aqui é fazer um dique para segurar a água."

    Os moradores também se preocupam com a possibilidade de a secura que se vê no reservatório atualmente chegue às torneiras.

    "Por enquanto, ainda não aconteceu. Mas a água que está saindo já está fazendo várias pessoas passarem mal", afirma o motorista Jaime Moreira, 58.

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