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    Cúpula da Santa Casa de São Paulo foi contratada por fornecedor da unidade

    ROGÉRIO PAGNAN
    THAIS BILENKY
    DE SÃO PAULO

    11/09/2014 02h00

    Dois integrantes da cúpula da Santa Casa de São Paulo, que enfrenta grave crise financeira, receberam, a titulo de consultoria, ao menos R$ 100 mil do grupo empresarial que fornece suprimentos para o hospital.

    Um deles, o superintendente Antonio Carlos Forte, tem entre suas atribuições prioritárias a fiscalização de contratos com fornecedores.

    O outro integrante, o tesoureiro Hercílio Ramos, é o responsável pelos pagamentos.

    O superintendente confirma o recebimento do dinheiro e reconhece haver conflito de interesses. "É uma coisa que até me incomodava. Por isso nós paramos de fazer."

    Editoria de Arte/Folhapress

    Ele nega, porém, ter beneficiado a Logimed, empresa do grupo Andrade Guitierrez que fornece materiais hospitalares à Santa Casa, nos cinco anos em que vigorou o contrato de consultoria.

    Os dois receberam esse dinheiro por meio da empresa Apocatú, criada em setembro de 2008 e que tem como sede a casa do tesoureiro, na zona norte da capital.

    A partir de então, segundo Forte, ele e o tesoureiro passaram a prestar serviço de consultoria para a Andrade Gutierrez na área de saúde.

    Também em 2008 a Santa Casa contratou como fornecedora de remédios e materiais como gaze e esparadrapo a Logimed, criada em junho do mesmo ano pela Andrade Gutierrez.

    Questionado sobre as consultorias prestadas pela Apocatú, Forte disse inicialmente que precisaria checar informações. Depois, citou um projeto para uma casa para idosos, que, segundo ele, não chegou a ser criada.

    O superintendente afirmou que atualmente não presta mais serviços para a Andrade Gutierrez.

    Ele admite que prestava serviços para a Logimed: "Alguém da Logimed ou da Andrade Gutierrez consultava a gente. [Diziam:] 'Queremos abrir um negócio, montar um sistema'".

    Ainda em 2008 Kalil Rocha Abdalla assumiu a provedoria da Santa Casa. Em 2014, foi eleito para o terceiro mandato consecutivo. Procurado, não atendeu as ligações.

    Em sua gestão, a dívida da instituição passou de R$ 70 milhões para aproximadamente R$ 400 milhões.

    Com fornecedores, a dívida é de cerca de R$ 50 milhões. Metade desse valor tem a Logimed como credora.

    Atualmente, as contas da instituição são alvo de uma auditoria contratada pela Secretaria de Estado da Saúde.

    O superintendente não soube explicar por que os contratos foram assinados com a Andrade Gutierrez Telecomunicações Ltda., braço do grupo que atua em outra área, como diz o nome.

    O tesoureiro diz não ver conflito de interesses e que somente hoje poderá dar detalhes de todos os contratos, já que foram cinco anos de trabalho. Diz que a maioria é para formação de PPPs (parceiras público privado).

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