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    Crise da água

    Na véspera da eleição, Sabesp passa a contabilizar 2º volume morto do Cantareira

    GIOVANNA BALOGH
    DE SÃO PAULO

    24/10/2014 11h08

    A Sabesp divulgou nesta sexta-feira (24) o índice do sistema Cantareira já contabilizando a segunda cota do volume morto. O sistema, que pela primeira vez opera com 2,9% de sua capacidade, saltou para 13,6%.

    O índice, que normalmente é divulgado por volta das 9h, só foi informado no site por volta das 11h. Os índices dos outros reservatórios, no entanto, eram informados normalmente desde cedo.

    Nesta sexta, o índice sem o segundo volume morto seria de 2,9%. Segundo a Sabesp, foram acrescidos 10,7 pontos percentuais da segunda cota do volume morto.

    O "volume morto" é a água das represas que, por ficar abaixo do ponto de captação, é puxada por bombas.

    Essa segunda reserva adicionará 106 bilhões de litros ao sistema que abastece parte da Grande São Paulo. A retirada já foi autorizada pela agência federal de águas (ANA) e pelo órgão do governo estadual (Daee).

    A empresa, no entanto, ainda não apresentou aos órgãos documento detalhando o ritmo de retirada do manancial.

    Questionada, a Sabesp informou que incorporou os dados da segunda cota do volume morto, mas que ainda não está sendo captado pois o reservatório ainda não secou totalmente. "A companhia esclarece que o volume não está sendo bombeado, pois ainda existem 28 bilhões de litros da primeira parte da reserva técnica", diz nota enviada pela estatal.

    O sistema Cantareira bateu mais um recorde negativo e opera nesta sexta-feira (24) pela primeira vez com menos de 3% da sua capacidade.

    De acordo com dados da Sabesp, a situação também é critica no sistema Alto Tietê que opera com 8%. Se não tiver chuva, água do sistema Alto Tietê pode acabar em 2 meses

    Editoria de Arte/Folhapress

    Reportagem desta sexta da Folha mostra que outubro deve terminar com menos da metade das chuvas previstas para a região do sistema Cantareira.

    Segundo dados da Sabesp, a média histórica de chuvas para o mês nas represas do sistema é de 130,8 mm. Até esta sexta, o reservatório havia recebido apenas 25 mm, ou 19% do esperado.

    A previsão de chuvas para a região até o final do mês é de cerca de 35 mm. Caso se concretize, outubro totalizaria 60 mm, menos da metade (46%) da média para o mês.

    Seria o pior índice de chuvas durante um mês de outubro desde 2003, último dado disponibilizado pela Sabesp.

    Editoria de Arte/Folhapress

    A previsão de chuva foi feita pela Somar Meteorologia e já inclui um gradual aumento de nebulosidade no próximo final de semana.

    A escassez de chuva neste mês se deve à ocorrência seguida de massas de ar quente, que impediram a chegada de frentes frias vindas do Sul.

    A expectativa é que a primeira etapa do volume morto (reserva abaixo do ponto de captação) do Cantareira terminaria no dia 10 de novembro.

    Há um mês, o secretário de Recursos Hídricos de São Paulo, Mauro Arce, estimou que a reserva acabaria no dia 21 de novembro.

    Com o atual ritmo de consumo e chuvas, a segunda cota do volume morto terminaria no dia 13 de janeiro.

    A Sabesp alega, no entanto, não ter previsão para utilizar essa nova cota, esperando pelas chuvas de verão.

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