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    Ida e volta entre Guarulhos e zona sul de SP leva até 4h/dia

    ALAN SANTIAGO
    DO "AGORA"

    26/03/2015 02h00

    Apenas 16 km separam Guarulhos da cidade de São Paulo. Mas quem depende desse trajeto para trabalhar ou estudar gasta de três a quatro horas por dia no transporte público.

    É o caso da estudante Thaís Mitsue, 20. Ela pega o ônibus por volta das 7h30 em Guarulhos, onde mora, e chega às 9h em São Judas (zona sul de SP), onde faz estágio.

    Julia Chequer/Folhapress
    Passageiros entram em ônibus com sentido a Guarulhos, no terminal Armênia, em SP
    Passageiros entram em ônibus com sentido a Guarulhos, no terminal Armênia, em SP

    "Acho uma loucura a forma como os ônibus e as lotações saem. As pessoas vão espremidas", reclama ela, que gasta quase o mesmo tempo para voltar e ainda tem de encarar uma rotina de estudos à noite na faculdade.

    O deslocamento entre as duas cidades é o que reúne o maior número de pessoas, segundo o IBGE: 146 mil. São 118 mil pessoas que rumam para a capital diariamente, ante 28 mil que fazem a rota inversa.

    Tony Niza, 23, técnico em informática, chega a esperar uma hora pelo microônibus na estação Armênia (zona norte de São Paulo) para voltar a Guarulhos, onde mora. "Apesar da demora, prefiro a lotação, porque faz caminhos alternativos", diz. Mesmo assim, ele costuma levar duas horas até sua casa.

    Como faz o percurso todos os dias e, por isso, evita vir a São Paulo nos fins de semana. "Prefiro me divertir por Guarulhos."

    "Deveria ter um corredor de ônibus ligando as duas cidades para facilitar a vida", diz a dona de casa Márcia Rodrigues, 59.

    Ela costuma se deslocar a São Paulo para consultas em um hospital do Cambuci (zona sul). "Num dia com chuva e com muito trânsito, já cheguei a demorar quatro horas", diz ela, que prefere o ônibus. "Nas lotações a gente se arrisca mais."

    Ela diz que alguns vizinhos preferiram mudar para evitar o trajeto. "Eu mesma estou pensando em vender a casa para vir morar mais perto."

    A região do Grande ABC é um caso à parte, porque os municípios "trocam" muitos moradores entre si.

    O número de pessoas de Santo André que estudam ou trabalham em São Bernardo, por exemplo, é quase igual ao daqueles que seguem para a capital (45.598 e 50.070, respectivamente).

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