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    Estudantes são impedidos de assistir à votação de idade penal na Câmara

    NATÁLIA CANCIAN
    MARIANA HAUBERT
    DE BRASÍLIA

    01/07/2015 22h42

    Após uma intensa mobilização de movimentos contrários e favoráveis à redução da maioridade penal nesta terça-feira (30), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), proibiu a entrada do público para acompanhar a votação de uma nova proposta de redução que está sendo analisada nesta noite.

    "Foi uma truculência. Não teve margem de negociação. Ontem, a nossa presença fez diferença. Ele fez mais uma das manobras dele", disse a presidente da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), Bárbara Melo, 20. Eles estão fazendo uma blitz para abordar os deputados que passam por eles.

    Segundo o presidente, a proibição se deve a uma quebra de acordo entre ele a o público. Durante a discussão da proposta, Cunha pediu reiteradas vezes que as pessoas, de ambos os lados, não se manifestassem nas galerias, a fim de manter a ordem durante a votação.

    No entanto, quando a proposta foi rejeitada, na primeira votação, os manifestantes contrários à redução comemoraram efusivamente com gritos e saudações aos deputados. Por isso, Cunha decidiu manter a restrição para esta quarta, apesar dos apelos feitos por alguns parlamentares.

    Um grupo de estudantes acabou tendo que acompanhar a sessão desta noite em um hall perto da ala das comissões da Casa. Com bandeiras e cartazes, eles cantaram e fizeram cirandas em favor da manutenção da maioridade penal em 18 anos. Cerca de oito seguranças legislativos impedem a passagem dos estudantes.

    Eles recorreram da decisão de Cunha de não acatar o habeas corpus do Supremo Tribunal Federal e pedem para que possam acompanhar a sessão ainda hoje ou que o presidente sofra sanções. "Ele não está acima da lei", afirmou Mateus Weber, estudante de Direito e diretor da UNE (União Nacional dos Estudantes). "Ele rasgou um habeas corpus e a votação de ontem", completou.

    Nesta quarta, a ministra Cármen Lúcia concedeu um habeas corpus para 60 estudantes da UNE para que eles pudessem acompanhar a votação da proposta. No entanto, Cunha não aceitou a decisão e entregou senhas para que os partidos distribuíssem para quem quisessem.

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