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    Iniciado há 40 dias, incêndio na Chapada Diamantina ganha nova força

    JOÃO PEDRO PITOMBO
    DE SALVADOR

    10/12/2015 02h00

    O incêndio que consome a Chapada Diamantina, na Bahia, ressurgiu com mais força nesta semana e ao menos cinco focos devastam novas áreas de vegetação nativa.

    Iniciado há cerca de 40 dias, o fogo já atingiu 60 nascentes de rios e consumiu pelo menos 50 mil hectares, uma área equivalente a 315 parques Ibirapuera.

    Do total da vegetação atingida, 15 mil hectares estão no Parque Nacional da Chapada, comprometendo 10% da área de proteção ambiental.

    Os dados são de estudos de georreferenciamento por satélite feitos pelo governo da Bahia e obtidos pela Folha.

    "A situação ainda é crítica e muito preocupante, sobretudo porque o fogo está em áreas de difícil acesso", afirma o secretário estadual de Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler.

    Os novos focos de incêndio atingem as regiões de Vale do Capão, Mucugê, Andaraí e Ibicoara –nesta última, com um trecho dentro do parque.

    Pelo menos quatro trilhas ecológicas tiveram de ser fechadas por causa do fogo nos últimos dias.

    Uma das áreas atingidas é a famosa trilha da Cachoeira da Fumaça, interditada na segunda-feira (7), mas liberada no dia seguinte.

    Este já é o terceiro pior incêndio registrado neste século na Chapada, região que é uma área de confluência entre os biomas de Mata Atlântica, cerrado e caatinga.

    CHUVAS ESPARSAS

    O tempo seco, aliado à ocorrência de ventos, tem ajudado a espalhar o fogo em áreas de difícil acesso para os brigadistas. A ocorrência de chuvas na região nas últimas semanas não foi suficiente para debelar o incêndio.

    "São chuvas esparsas que não resolvem o problema. Pelo contrário, acabam atrapalhando, porque impedem o deslocamento das brigadas e das aeronaves", diz Spengler.

    Além disso, diz o secretário estadual de Meio Ambiente, a incidência de raios provocou mais focos de incêndio ao atingir a vegetação seca.

    O incêndio na Chapada havia sido considerado como "controlado" pelo governo baiano há duas semanas, o que resultou na desmobilização de parte das equipes de bombeiros e da Aeronáutica.

    Atualmente, um contingente de apenas 34 bombeiros e quatro aeronaves de pequeno porte atuam no combate ao fogo num dos principais pontos turísticos da BA.

    O avião Hércules, da Força Aérea Brasileira, que chegou a ser utilizado no ápice dos incêndios, já deixou a região.

    O combate com aeronave foi considerado ineficiente pelas brigadas voluntárias pelo fato de o avião não poder voar mais próximo das áreas atingidas por causa do relevo acidentado.

    O governo baiano diz que irá enviar mais 42 bombeiros para reforçar as equipes de combate ao fogo.

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