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    Sob pressão, Haddad libera táxi de luxo a pegar passageiros na rua

    GIBA BERGAMIM JR.
    DE SÃO PAULO

    28/05/2016 02h00 - Atualizado às 10h16

    Avener Prado/Folhapress
    Táxi preto, autorizado pela Prefeitura de São Paulo a pegar passageiros na rua
    Táxi preto, autorizado pela Prefeitura de São Paulo a pegar passageiros na rua

    Após reclamações de taxistas, a gestão Fernando Haddad (PT) decidiu liberar os chamados táxis pretos -mais luxuosos e que só poderiam atuar via aplicativos- a também pegar passageiros nas ruas da capital.

    Para isso, os motoristas terão que instalar taxímetros e poderão colocar luminosos, algo também não previsto.

    Com tarifa cerca de 25% mais cara do que os convencionais, os táxis pretos poderão ainda praticar a tarifa mais barata, igual à dos taxistas do modelo branco, cujos carros são mais simples.

    Os motoristas de táxi preto foram os que mais reclamaram da recente legalização do Uber, com o argumento de que desembolsaram R$ 60 mil no alvará e investiram cerca de R$ 80 mil para comprar modelos de carro exigidos.

    Muitos deles procuraram a Secretaria Municipal de Transportes para dizer que estavam endividados.

    COMPETIÇÃO

    O táxi preto foi criado no ano passado justamente para concorrer com o Uber Black -modelo mais luxuoso e mais caro do aplicativo que conecta motoristas particulares a passageiros.

    Quando o novo modelo foi criado por Haddad, o Uber funcionava por meio de liminar na Justiça e sem regulamentação municipal.

    A revolta dos taxistas é motivada pelo fato de os motoristas do Uber não terem sido obrigados a pagar uma licença para atuar, por exemplo, numa espécie de concorrência desleal, segundo eles.

    De acordo com o secretário Jilmar Tatto (Transportes), a maior parte dos cerca de 1.700 profissionais que atuam com táxi preto eram motoristas que alugavam irregularmente seus alvarás e viram a chance da própria licença.

    "Por isso, muitos tiveram dificuldades [financeiras] para entrar no mercado", disse.

    A prefeitura sorteou 5.000 alvarás, mas nem todos conseguiram entrar no negócio por falta de dinheiro.

    A administração acredita que, com a liberação para pegar passageiros nas ruas, os taxistas não ficarão parados à espera de chamadas.

    Para evitar isso, aplicativos de táxi passaram a acionar os modelos pretos mesmo para quem pedia os brancos. Mesmo assim, segundo taxistas, a desvantagem continua.

    No último dia 14, o prefeito autorizou funcionários da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico a acionar os táxis pretos.

    O serviço funcionará por período experimental de três meses, só para esta secretaria. Porém, o mesmo decreto diz que o modelo poderá ser ampliado para os demais órgãos da prefeitura, caso a experiência dê certo e gere economia.

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