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    Rio de Janeiro

    'Estupro está provado', diz delegada sobre caso no Rio; suspeitos são presos

    DO RIO

    30/05/2016 15h05 - Atualizado às 15h53

    Ricardo Borges/Folhapress
    Raí de Souza (centro), suspeito de participar de estupro coletiva no Rio, se entregou nesta segunda (30)
    Raí de Souza (centro), suspeito de participar de estupro coletivo no Rio, se entregou nesta segunda (30)

    Em entrevista na tarde desta segunda (30), a delegada Cristiana Bento, que assumiu neste domingo (29) as investigações do caso do estupro da adolescente de 16 anos, afirmou não ter dúvida de que o crime aconteceu. "A minha convicção é de que houve estupro. Está lá no vídeo, que mostra um rapaz manipulando a menina. O estupro está provado. O que eu quero agora é verificar a extensão desse estupro, quantas pessoas praticaram esse crime", disse a delegada.

    Titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), Cristiana alegou que o processo está em segredo de Justiça, motivo pelo qual não daria acesso às declarações prestadas pela vítima e pelos suspeitos.

    A investigação teve início após um vídeo da jovem, nua e desacordada, ser postado em redes sociais na terça (24). Na gravação, um grupo de homens, em meio a risadas, toca nas partes íntimas da garota e diz que ela foi violentada por "mais de 30". Em 2009, a lei 12.015 foi alterada e passou a considerar, além da conjunção carnal, atos libidinosos como crime de estupro.

    Na entrevista, a delegada afirmou ter pedido a prisão temporária de seis suspeitos de envolvimento no crime "para que possamos investigar com mais calma" e afirmou que já havia indícios suficientes para justificar o pedido. "O vídeo prova o abuso sexual. Além do depoimento da vítima."

    Além da delegada, participaram da entrevista o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, e Adriane Rego, diretora do Instituto Médico-Legal (IML), órgão responsável pelo exame físico da garota cinco dias após o crime.

    Segundo os policiais, a perícia técnica do IML ficou prejudicada, por causa do tempo decorrido entre o crime e o exame. "Não foram colhidos indícios de violência, o que não quer dizer que ela não aconteceu", disse o chefe da Polícia Civil.

    A diretora do IML afirmou que os peritos procuraram material biológico dos estupradores no corpo da vítima e não encontraram. Diferentes fatores, segundo ela, interferem nessa questão, desde o uso de preservativos até o tempo decorrido para o exame.

    "O prazo de cinco dias dificulta muita coisa. Quanto mais próximo da violência for o exame, mais fácil é a gente detectar qualquer vestígio. O corpo tem reações que são muito fugazes, desaparecem rapidamente. Então, quanto mais próximo da lesão for o exame, maiores as chances de produzir provas técnicas", disse Adriane Rego. "Os vestígios se perderam em razão dos vários dias que se passaram. Mas a polícia não pode afirmar que não houve lesão só porque o laudo não constatou."

    A delegada Cristiana relativizou a importância do laudo. "Nos crimes sexuais, o exame de corpo de delito é importante, mas não é determinante. Às vezes há lesão, mas foi consentida pela vítima. E pode acontecer de ter havido estupro mesmo não tendo havido lesão." A policial aventou uma outra possibilidade para a falta de vestígios no corpo da adolescente: "Como ela estava desacordada, não vai haver lesão porque ela não ofereceu resistência. Por isso o laudo não é determinante."

    CAÇA AOS TRAFICANTES

    Dois dos seis suspeitos foram presos nesta segunda-feira. Raí de Souza se entregou à polícia, e o jogador de futebol Lucas Perdomo, 20, foi detido na porta de um restaurante no centro do Rio, em torno de 15h30. Os outros quatro estão foragidos.

    O chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, afirmou que os policiais vão prender "qualquer pessoa que tenha envolvimento com o tráfico naquela comunidade, esteja lá ou em outras". "Independentemente da investigação pelo envolvimento com o tráfico, há o interesse de que sejam investigadas e ouvidas nessa investigação comandada pela doutora Cristiana."

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    CRONOLOGIA DO CASO

    21.mai.2016 - A adolescente é estuprada na madrugada no complexo de favelas São José Operário, zona oeste do Rio, após ir a um baile funk

    22.mai.2016 - Segundo diz em depoimento, acorda cercada por homens armados, no mesmo dia em que volta para casa

    24.mai.2016 - A vítima fica sabendo que um vídeo com ela circula na internet e volta ao morro para falar com o chefe do tráfico

    25.mai.2016 - A família da menina é avisada por um vizinho sobre o vídeo. Na gravação, um grupo de homens, em meio a risadas, toca nas partes íntimas da garota e diz que ela foi violentada por "mais de 30". Em 2009, a lei 12.015 foi alterada e passou a considerar, além da conjunção carnal, atos libidinosos como crime de estupro

    26.mai.2016 - A jovem presta o primeiro depoimento à polícia, é medicada em um hospital e faz exames no IML

    27.mai.2016 - A menina presta mais dois depoimentos à polícia, assim como dois dos suspeitos de participar do crime; neste mesmo dia, a polícia localiza a casa em que o crime aconteceu

    28.mai.2016 - A advogada da vítima, Eloísa Samy, pede à Promotoria do Rio o afastamento do delegado Alessandro Thiers, títular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DCRI). Segundo Samy, Thiers estava tratando o caso com "machismo e a misoginia"

    29.mai.2016 - Pressionada, a Polícia Civil do Rio tira o delegado Alessandro Thiers do comando das investigações. O caso passa para as mãos da delegada Cristina Bento, titular da DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima)

    O Chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, diz, em entrevista ao "Fantástico", da TV Globo, que o laudo do vídeo sobre o crime deverá contrariar o "senso comum" e que não havia registro de sangue nas imagens. Também neste domingo, a polícia informa que a vítima entrou no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte

    A advogada da adolescente, Eloísa Samy, anuncia nas redes sociais que deixou o caso. A Defensoria Pública do Rio passa a representar a vítima. Na TV, a adolescente diz que está com medo e tem recebido ameaças de morte na internet

    Editoria de Arte/Folhapress
    ONDE FOI O CRIME Caso é investigado pela Polícia Civil e Ministério Público do Rio
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