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    Proibição da vaquejada impulsiona protestos em nove Estados

    JOÃO PEDRO PITOMBO
    DE SALVADOR

    11/10/2016 17h00

    A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que considerou inconstitucional lei que regulamenta as vaquejadas no Ceará –e que, na prática, as proíbe– deu início a uma onda de protestos pelo Nordeste.

    Nesta terça, manifestações em nove Estados e no Distrito Federal marcaram o Dia de Mobilização Nacional pela Vaquejada.

    Considerada típica em cidades do interior do Nordeste, a vaquejada costuma movimentar cidades como Serrinha (BA), Caruaru (PE), Gravatá (PE) e Lagarto (SE), em eventos com shows que reúnem milhares de pessoas.

    A prática consiste numa corrida entre dois vaqueiros montados a cavalo que têm como objetivo perseguir e derrubar um boi puxando-o pela cauda numa pista de areia com 100 m de comprimento.

    Segundo a Associação Brasileira de Vaquejadas, são realizados anualmente cerca de 4.000 eventos no país, sobretudo no Nordeste. Os prêmios para os vencedores chegam a R$ 300 mil.

    Na última quinta-feira (6), por 6 votos a 5, STF considerou inconstitucional a lei que regulamentava a atividade no Ceará argumentando que ela causa sofrimento aos animais.

    A decisão servirá de referência para leis semelhantes que existam em outros Estados do país.

    Junot Lacet Filho - 3.mai.2015/Jornal da Paraíba
    Vaquejada no Parque Haras Ivandro Cunha, em Campina Grande, Paraíba
    Vaquejada no Parque Haras Ivandro Cunha, em Campina Grande, Paraíba

    PROTESTOS

    Na Bahia, um grupo de criadores de gado organizou uma carreata que passou por rodovias do entorno de Feira de Santana (109 km de Salvador), maior cidade do interior do Estado.

    Presidente da Associação Baiana de Vaquejadas, Valmir Velozo, defende a aprovação de uma lei nacional que regularize e regulamente a prática no país.

    "A vaquejada é um esporte genuinamente nordestino que se tornou um bem cultural do país. Muitos empregos serão extintos se ela for proibida", afirma.

    Velozo nega que haja maus tratos aos animais, conforme argumentado pelos ministros do Supremo. "A gente faz uma vaquejada moderna. Os bois são tratados com todo o conforto, com sombreamento, água e comida. Fazem só duas corridas por dia", afirma.

    Além dos Estados nordestinos, houve protestos também no Pará e no Distrito Federal. Em Brasília, criadores de gado levaram cavalos à Esplanada dos Ministérios.

    A causa também ganhou a adesão de políticos da região. No fim de semana, o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB) criticou a decisão do Supremo.

    Ele chamou os praticantes das vaquejadas de "heróis" e disse que o esporte é "patrimônio cultural" do Nordeste.

    Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Vaqueiros protestam na Esplanada dos Ministérios contra a proibição da vaquejada nesta terça (11)
    Vaqueiros protestam na Esplanada dos Ministérios contra a proibição da vaquejada nesta terça (11)
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