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    Massacre em presídios

    São Paulo registra as primeiras mortes em presídios no ano; no Brasil, são 106

    DE SÃO PAULO

    13/01/2017 09h15 - Atualizado às 15h00

    Dois presos foram mortos na noite desta quinta-feira (12) na Penitenciária de Tupi Paulista (a 561 km de São Paulo). São as primeiras mortes em presídios paulistas desde o início da crise penitenciária no Norte do país. Com isso, o número de assassinatos em presídios pelo país chega a 106 casos.

    As mortes foram confirmadas pela Delegacia Seccional de Dracena, que atende a região. A Secretaria da Administração Penitenciária informou que eles morreram durante uma briga em uma das celas. Um dos corpos foi mutilado na ação, que aconteceu por volta das 21h.

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    Segundo a secretaria, os demais presos na cela foram transferidos, e foi instaurado apuração para propor ao Judiciário a inclusão dos autores em regime disciplinar diferenciado. Quando foi construído, em 2005, o presídio de Tupi Paulista, de regime fechado, tinha como finalidade abrigar detentos que não pertenciam a facções.

    Presos que se sentiam ameaçados por não pertencerem ao PCC (Primeiro Comando da Capital) ou correlatos pediam transferência para o local, já que não eram aceitos em outras penitenciárias pelos grupos criminosos. No entanto, desde o ano passado, foram registrados casos em que presos identificados como sendo do PCC ameaçavam outros.

    MORTES EM PRESÍDIOS

    Com essas mortes, o número de assassinatos em presídios pelo país chega a 106 casos. As mortes já equivalem a pouco mais de 28,5% do total registrado em todo ano passado. Em 2016, foram ao menos 372 assassinatos -média de uma morte a cada dia nas penitenciárias do país. O Estado do Amazonas lidera o número de mortes em presídios com 67 assassinatos, seguido por Roraima (33), Paraíba (2) e Alagoas (2).

    No dia 1° de janeiro, um massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) deixou deixa 56 mortos em Manaus (AM), após motim que durou 17 horas. No dia seguinte, mais quatro detentos morrem na Unidade Prisional de Puraquequara (UPP), também em Manaus.

    Com isso, o governo do Amazonas transferiu 283 presos ameaçados do Compaj para a Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, também em Manaus, que estava desativada desde outubro de 2016 por más condições.

    Seis dias depois, uma rebelião na cadeia de Raimundo Vidal Pessoa deixou quatro mortos. Logo em seguida, três corpos foram encontrados em mata ao lado do Compaj. Com isso, subiu para 67 o total de presos mortos no Amazonas.

    No dia 4 de janeiro, dois presos são mortos em rebelião na Penitenciária Romero Nóbrega, em Patos, no Sertão da Paraíba. Dois dias depois, 33 presos são mortos na maior prisão de Roraima, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista.

    Na tarde desta quinta (12), dois detentos foram mortos na Casa de Custódia, conhecida como Cadeião, em Maceió (AL). O presídio, destinado a abrigar presos provisórios, fica dentro do Complexo Penitenciário, em Maceió (AL). Jonathan Marques Tavares e Alexsandro Neves Breno estavam nos módulos 1 e 2 da cadeia, respectivamente.

    Segundo Kleyton Anderson, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Alagoas, os módulos onde os presos foram achados mortos eram destinados ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

    De acordo com a Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), José Hildemar da Cruz Reis foi identificado como o responsável pelas agressões que vitimaram Jonathan Marques Tavares. Ele foi encaminhado para Delegacia da PC, onde permanece à disposição da Justiça.

    A direção do Cadeião abriu um procedimento administrativo disciplinar para apurar as causas e circunstâncias. Entretanto, a secretaria afirma que informações iniciais do serviço de inteligência da Seris apontam uma "rixa de rua" como causa das agressões sofridas por Tavares.

    Com informações do UOL

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