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    Ribeirão Preto investiga a morte de 35 macacos por suspeita de febre amarela

    MARCELO TOLEDO
    DE RIBEIRÃO PRETO

    ANGELA PINHO
    DE SÃO PAULO

    21/02/2017 11h28 - Atualizado às 21h46

    Wikipedia
    35 macacos estão com suspeita de febre amarela; acima foto de um macaco bugio ruivo no ES
    35 macacos estão com suspeita de febre amarela; acima foto de um macaco bugio ruivo no ES

    Mortes de 35 macacos com suspeita de febre amarela estão sob investigação pela Prefeitura de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo). A cidade já confirmou cinco óbitos de primatas em decorrência da doença, inclusive de espécies ameaçadas de extinção.

    De acordo com a prefeitura, o Instituto Adolfo Lutz enviou resultados de exames que atestaram a morte pela doença de dois macacos bugios, mãe e filho, no final do mês passado. Os cadáveres foram encontrados na zona rural da cidade.

    Antes, outros três macacos já tinham morrido de febre amarela, todos achados na área urbana –dois na região central e o terceiro na Via Norte, uma das avenidas mais movimentadas de Ribeirão.

    Febre

    Com isso, ainda segundo a administração, dos seis resultados conhecidos até aqui, apenas um não confirmou morte dos primatas por febre amarela. Ribeirão Preto enviou ao Adolfo Lutz, desde o ano passado, 41 amostras de macacos mortos achados pela Vigilância Epidemiológica para análise.

    Além dos ameaçados bugios, o município registrou mortes de saguis. No país, também já foram encontrados macacos mortos das espécies sauás, macacos-prego e muriquis.

    No interior paulista, já houve mortes de primatas em cidades como Jaboticabal e na região de São José do Rio Preto. Bady Bassit, que teve a primeira morte no Estado desde 2009, e Batatais estão entre as cidades com mortes de humanos em decorrência da forma silvestre da doença.

    Não há registro até o momento de transmissão urbana da febre amarela, o que ocorreria por meio de outro vetor, o mosquito Aedes aegypti, que também transmite dengue, zika e chikungunya. A febre amarela urbana não é registrada no Brasil desde 1942.

    BALANÇO

    De acordo com o Ministério da Saúde, foram registradas desde dezembro do ano passado 883 epizootias (mortes de um macaco ou um grupo deles) por febre amarela. Há ainda 212 sob investigação.

    O número revela um aumento substancial de casos do tipo em relação aos últimos anos. De julho de 2014 a dezembro de 2016, foram 49 epizootias pelo vírus.

    Para a Organização Pan-Americana da Saúde, o registro de óbitos desses animais representa "um risco de disseminação do vírus para Estados de fronteira, especialmente em áreas com ecossistema semelhante".

    A advertência está em boletim epidemiológico divulgado no último dia 16 deste mês, que cita Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com Bolívia e Paraguai; Santa Catarina (com Argentina); Rio Grande do Sul (com Uruguai e Argentina); e Paraná (com Argentina e Paraguai).

    POPULAÇÃO

    Por serem os primeiros a serem infectados, os macacos são considerados importantes sentinelas da doença –ou seja, alertam para a circulação do vírus em um determinado local.

    Especialistas não descartam, por outro lado, que uma possível causa para a expansão da febre amarela pelo país seja justamente o aumento da população de primatas.

    Para Maurício Nogueira, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, o reflorestamento em algumas áreas, embora benéfico ao ambiente, favoreceu a reprodução dos animais, elevando a quantidade de bichos que podem portar o vírus e ser picados por outros insetos.

    Especialista em primatas, o professor Sérgio Lucena, da Universidade Federal do Espírito Santo, acha pouco provável que isso tenha ocorrido no atual surto –embora concorde que a população de macacos tenha aumentado em algumas regiões do país nas últimas décadas.

    "A expansão agora se dá numa área muito fragmentada de mata atlântica. O vírus está passando por espaços que macacos não atravessam", afirma.

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