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    Vídeo reforça relato de agressão a garoto morto no Habib's, diz advogado

    BRUNA SOUZA CRUZ
    DO UOL

    03/03/2017 19h17

    Para o advogado Ariel de Castro Alves, que acompanha a família do garoto de 13 anos morto em frente a uma unidade do Habib's, em São Paulo, as imagens de um vídeo divulgado nesta quinta (2) reforçam o relato feito pela única testemunha do caso.

    Silvia Helena Troti, 59, afirmou na quarta-feira à polícia ter visto João Victor ser agredido por "um homem forte, gordo, moreno com uniforme do Habib's" e desmaiar em seguida. Segundo o relato, o homem segurou o garoto pela gola da camisa e deu um soco na cabeça dele.

    Ela também contou que presenciou um outro funcionário do Habib's "alto e magro" puxar o adolescente pelos braços junto com o primeiro agressor e, juntos, seguiram de volta para o Habib's. O menino desmaiou durante o trajeto e, segundo ela, espumava pela boca.

    No vídeo divulgado pela TV Band nesta quinta-feira, João Victor é visto segurando um pedaço de pau, como haviam afirmado alguns funcionários da empresa no dia da ocorrência. Em determinado momento, o garoto atravessa a rua correndo, seguido por dois homens.

    Reprodução
    Família de João Victor protesta em frente a unidade do Habib's onde garoto morreu. Vídeo reforça relato de agressão, diz advogado sobre garoto morto no Habib's.
    Família de João Victor protesta em frente a unidade do Habib's onde garoto morreu

    Após alguns instantes, eles voltam para o lugar de origem, arrastando o menino e o jogando contra o chão. Aparentemente, o menino está desacordado e não demonstra reação. O advogado informou que as imagens já estão com a delegacia responsável pela investigação.

    "Essas imagens reforçam o depoimento da testemunha. É um indício de que funcionários do Habib's podem ter praticado agressões que desencadearam a morte da criança", afirma Ariel de Castro Alves, que é membro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana).

    O UOL tenta desde a tarde de quinta-feira um posicionamento da SSP (Secretaria de Segurança Pública) sobre os questionamentos do advogado que acompanha a família de João Victor. A assessoria de imprensa da SSP-SP informou que a posição da SSP permanecia a mesma informada em nota divulgada no dia 1º.

    "A Polícia Civil esclarece que o 28º Distrito Policial investiga, por meio de inquérito, a morte de João Victor de Souza Carvalho, de 13 anos, ocorrida na noite de domingo (26), em frente a um restaurante na Freguesia do Ó. O caso foi registrado no 13º DP como morte suspeita. A polícia aguarda resultado dos laudos para confirmar a causa da morte."

    Alves afirma haver diversas falhas por parte da polícia no caso que investiga a morte. O primeiro erro, segundo ele, foi a Polícia Civil ter descartado o relato da testemunha, Silvia Troti, que se prontificou a relatar o que viu quando os policiais chegaram ao local.

    Newton Menezes/Futura Press/Folhapress
    SÃO PAULO,SP,01.03.2017:ADOLESCENTE-MORRE-APÓS-SER-PERSEGUIDO-POR-SEGURANÇAS-HABIB'S - Fachada do restaurante Habib's, na Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo (SP), onde o adolescente João Victor Souza de Carvalho, de 13 anos, morreu na madrugada da última segunda-feira (27), ao sofrer uma parada cardiorrespiratória após de ser perseguido por seguranças do estabelecimento na Zona Norte. Segundo a família do garoto, ele teria sido agredido pelos funcionários após pedir dinheiro para clientes na porta do estabelecimento. A Polícia apura ação de seguranças da loja. (Foto: Newton Menezes/Futura Press/Folhapress) *** PARCEIRO FOLHAPRESS - FOTO COM CUSTO EXTRA E CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS ***
    Fachada do Habib's na Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo (SP)

    Segundo Troti, PMs teriam dito que ela era "noia" e que não serviria para depor. "Se os PMs tivessem dado crédito à testemunha [no momento do atendimento], os autores desse crime bárbaro poderiam estar presos [em flagrante]", afirmou Castro. Troti prestou depoimento no 28º DP (Freguesia do Ó) na quarta-feira, três dias depois da morte do garoto.

    Outra crítica do advogado é sobre a demora no início das investigações. Para ele, é um "absurdo" o caso ter demorado três dias para ter um inquérito aberto. "Os fatos ocorreram às 19h do dia 26. O registro ocorreu apenas às 4h da manhã do dia 27. E as investigações começaram só três dias depois. Apurações de mortes não podem aguardar o final de feriados", relatou, em referência ao Carnaval.

    O resultado do laudo que comprovará a causa da morte de João Victor ainda não foi divulgado pelo IML (Instituto Médico Legal). Na declaração de óbito consta que ele morreu depois de uma parada cardiorrespiratória.

    De acordo com Alves, mesmo que o laudo comprove que João morreu por causas naturais, a linha de investigação pode levar em conta se a perseguição dos funcionários contribuiu para um infarto, "acelerando uma morte natural". Para o advogado, se isso se confirmar, os funcionários envolvidos na ação podem ser indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima.

    AFASTAMENTO

    Depois da divulgação do vídeo com imagens do momento em que o adolescente é perseguido por dois homens uniformizados e jogado contra o chão, o Habib's anunciou o afastamento de funcionários. O conteúdo foi exibido em reportagem da Band na noite de quinta-feira.

    "Diante das imagens divulgadas pela imprensa hoje, comunica que decidiu afastar os colaboradores envolvidos até que tudo seja elucidado", informou o Habib's, por meio de nota, sem dizer quantos empregados foram afastados nem divulgar seus nomes.

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