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    Gestão João Doria testa ônibus sem cobradores na zona sul de SP

    REGIANE SOARES
    DO 'AGORA'

    31/03/2017 02h00

    Regiane Soares/Folhapress
    30.03.2017 - Entre os ônibus do subsistema local, composto pelas ex-cooperativas, a prática já tem sido comum, mas agora, coletivos de empresas do sistema estrutural, das viações tradicionais, já estão rodando na cidade de São Paulo sem cobradores. à o que tem acontecido com veículos da linha 576-C 10 â€" Metrô Jabaquara/ Terminal Santo Amaro, da Mobibrasil, que opera na zona sul de São Paulo e outras linhas devem eliminar os profissionais. Foto Regiane Soares/Folhapress ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
    Ônibus sem cobrador em teste, que fará a linha que leva do Metrô Jabaquara ao Terminal Santo Amaro

    A gestão João Doria (PSDB) autorizou uma empresa a testar a partir deste sábado (1º) ônibus municipais sem a presença de cobrador.

    O teste será feito em 5 dos 17 veículos que fazem a linha 576C-10 (Metrô Jabaquara - Terminal Santo Amaro), da viação MobiBrasil, que só vai aceitar Bilhete Único como forma de pagamento da passagem.

    "É claro que eu tenho medo de perder o emprego. Não sabemos o que pode acontecer", afirmou o cobrador, na função há 29 anos. Os ônibus da linha já estão com um adesivo que diz que os coletivos só aceitam o Bilhete Único.

    A retirada de cobradores dos ônibus é avaliada por Doria como opção para baixar os custos do transporte. Em fevereiro, Doria admitiu que que a função poderia deixar de existir e pediu às empresas que treinassem os cobradores para exercer outras funções.

    Há cerca de 19 mil desses profissionais no sistema, que representam 12% dos gastos das empresas –perto de R$ 1 bilhão ao ano. Porém, 6% dos passageiros pagam com dinheiro, o que significa R$ 300 milhões ao ano, segundo a SPUrbanuss. Os outros 94% dos usuários pagam com Bilhete Único.

    A retirada dos cobradores também seria uma forma de reduzir os custos do sistema no momento em que o prefeito João Doria (PSDB) decidiu congelar a tarifa em R$ 3,80.

    Segundo o SPUrbanuss, o sindicato das empresas de ônibus, são cerca de 19 mil cobradores no sistema de transporte municipal. Eles representam 12% do custo do sistema de transporte urbano, de quase R$ 8 bilhões ao ano (sendo R$ 3 bilhões de subsídio da prefeitura às empresas e os outros R$ 5 bilhões de arrecadação). Ou seja, R$ 1 bilhão ao ano. O sindicado e a Prefeitura de São Paulo disseram, no entanto, que não haverá demissão dos cobradores dos ônibus.

    O presidente do Sindmotoristas, que representa os trabalhadores da categoria, Valdevan Noventa, disse que não aceitará redução de postos de trabalho. Segundo ele, o cobrador é um "agente social do qual não se pode abrir mão"

    FALTA

    O gerente Ricardo Lima da Silva, 26 anos, viajou em um dos cinco ônibus da linha 576C-10 (Metrô Jabaquara -Terminal Santo Amaro), que a partir de amanhã não terá mais cobradores. Ele estava com o Bilhete Único sem crédito e pagou a passagem em dinheiro. "Se o cobrador não estivesse aqui, teria que descer e carregar o bilhete. Ia perder muito tempo", disse.

    A estudante Renata Loiola, 29 anos, afirmou que a retirada dos cobradores será ruim para os passageiros e para os cobradores. "Mesmo que a pessoa tenha Bilhete Único, o crédito pode acabar. Se isso acontecer, certamente a pessoa não vai poder entrar no ônibus."

    Já a estudante Camila Martins de Melo, 21 anos, disse que é indiferente à medida, e ressaltou que a maioria dos passageiros pagam com bilhete. "As pessoas precisam ser mais prevenidas e andar com o bilhete sempre carregado", afirmou.

    A SPTrans (empresa municipal responsável pelo transporte coletivo) disse que autorizou, "em caráter experimental", a operação sem cobrador na viação MobiBrasil. A empresa afirmou que os cobradores serão transferidos para outras áreas por meio de um plano de carreira. O SPUrbanuss disse que a medida é um teste e que não há determinação nem previsão para que toda frota opere sem cobrador.

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