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    Familiares denunciam descaso em buscas por vítimas de naufrágio no PA

    MANOEL CARDOSO
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM SANTARÉM (PA)

    15/08/2017 16h04

    Um grupo de familiares de nove pessoas desaparecidas em um naufrágio no rio Amazonas há duas semanas fizeram um protesto nesta segunda-feira (14) contra a demora nas buscas pelas vítimas —até agora, nenhum corpo foi encontrado. O acidente foi o maior acidente no número de vítimas em rios do Pará em 36 anos.

    O acidente entre um comboio de balsas e um navio cargueiro aconteceu no dia 2 entre os municípios de Óbidos e Oriximiná, no oeste do Pará. Com o encontro entre os dois, algumas das balsas naufragaram e até agora continuam no fundo do rio. Todos os desaparecidos eram tripulantes das balsas.

    Os familiares das vítimas bloquearam um trecho da avenida Cuiabá em frente a sede do Ministério Público Federal em Santarém (a 700 quilômetros de Belém), onde o caso está sendo investigado. Representantes do grupo foram recebidos no MPF.

    Divulgação
    Operação de resgate é feita no rio Amazonas para localizar os corpos das nove vítimas
    Operação de resgate é feita no rio Amazonas para localizar os corpos das nove vítimas

    Os parentes pediram justiça e reclamaram da falta de ações das duas empresas envolvidas no acidente, a Mercosul Line (dona do navio cargueiro) e a Transportes Bertolini Ltda (proprietária das balsas).

    Os familiares acreditam que os corpos dos desaparecidos estão no empurrador das balsas, que naufragou no acidente. O veículo foi encontrado por um radar a 63 metros de profundidade dentro do rio, em um ponto a 15 quilômetros de onde ocorreu o caso.

    Segundo o Corpo dos Bombeiros, o local tem correnteza forte e pouca visibilidade, o que dificulta o trabalho dos mergulhadores.

    Por isso, os familiares dos tripulantes pedem que a Bertoloni tome as providências necessárias para que a retirada seja feita. "As famílias precisam resgatar seus familiares desaparecidos, precisam ser respeitadas. A responsabilidade é solidaria. É preciso uma ação enérgica das autoridades competentes", disse o presidente da OAB de Santarém, Ubirajara Bentes Filho.

    Ubirajara afirmou ainda que as empresas devem pagar o que for necessário para que o resgate seja feito. Em nota, a Marinha disse que continua na busca pelos desaparecidos e que aguarda um plano da Bertolini sobre o resgate do empurrador.

    A Bertolini disse que já contratou uma empresa para fazer o resgate da embarcação e que dará mais informações apenas na quarta-feira (16). A Mercosul disse que o navio envolvido no acidente já voltou a navegar e que sua "preocupação imediata continua sendo com os tripulantes desaparecidos."

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