• Educação

    Saturday, 18-May-2024 16:58:09 -03

    Unesp vai monitorar nota de estudante para evitar casos de abuso e violência

    ESTÊVÃO BERTONI
    DE SÃO PAULO

    13/09/2015 02h00

    A partir do próximo semestre, os mais de 37 mil alunos da Unesp passarão por uma malha fina. O sistema que armazena as notas dos estudantes irá alertar coordenadores dos 134 cursos sobre quedas de rendimento acadêmico.

    O monitoramento é parte de um pacote de medidas que a reitoria adotou para inibir casos de violência e abuso.

    A ideia surgiu, segundo a vice-reitora da Unesp, Marilza Rudge, depois que uma sindicância constatou que os alunos hospitalizados em fevereiro deste ano após uma competição com vodca em Bauru (a 329 km de São Paulo) já registravam queda no desempenho acadêmico.

    Na ocasião, o estudante de engenharia elétrica Humberto Moura Fonseca, 23, morreu intoxicado após ingerir mais de 25 doses da bebida. Outros seis foram internados.

    "Um desses meninos era excelente no primeiro ano, mas foi caindo progressivamente de rendimento até ficar muito fraco", diz Rudge.

    Por isso, a universidade, que não divulga as notas dos estudantes envolvidos no caso, criou uma ferramenta para reconhecer as oscilações.

    Igor do Vale - 16.nov.2014/Futura Press/Folhapress
    Estudantes da Unesp em campus de Franca (SP)
    Estudantes da Unesp em campus de Franca (SP)

    Quando avisados, os coordenadores terão de identificar a origem do problema.

    "No geral, quando um estudante se envolve com álcool, ele perde o interesse no curso. A ideia é detectar antes um evento drástico como o de Bauru", conta o professor de engenharia elétrica Laurence Colvara, pró-reitor de graduação da Unesp.

    Se o problema for o álcool, o aluno será aconselhado a procurar ajuda em serviços da própria universidade.

    Para o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, professor associado da USP e titular da Faculdade de Medicina do ABC, a iniciativa é "inteligente" e "ousada", mas, por si só, não é suficiente.

    "Na universidade, muitos estudantes se envolvem com diversas novidades, como o álcool. E há situações em que o grupo promove festas com consumo intenso de bebida. Para quem tem alguma ansiedade, frustração ou não está bem no curso, o álcool serve como uma muleta", afirma.

    Ele defende maior ingerência das universidades sobre as festas. "Não é só o estudante com o rendimento ruim que vai buscar no álcool uma escapada para as angústias."

    'RISCOS DAS FESTAS'

    A professora de enfermagem Josely Pinto de Moura, mãe de Humberto, diz que o filho estava se saindo bem na faculdade, não costumava ir a grandes festas e foi levado a beber pela "força do grupo".

    Mesmo assim, ela diz achar a proposta válida. "O fato de o professor ser alertado é importante para ele ver o que está acontecendo com o aluno."

    Para Josely, a universidade deveria conscientizar os estudantes sobre os riscos das festas, para que tivessem receio e cuidado com o álcool.

    "Muitas tragédias já aconteceram, não foi só a com o meu filho, e as universidades não conseguem acabar com esses abusos", afirma.

    A bibliotecária Fátima Alves, mãe da aluna Gabriela Alves, que foi internada após a competição, diz que sua filha também não teve problemas com os estudos. Ela defende um trabalho de conscientização que envolva todo o ambiente acadêmico. "O problema não é só do aluno, é de toda a universidade."

    A Unesp diz ter organizado oficinas virtuais e workshops sobre álcool e drogas, além de ter capacitado os vice-diretores das unidades para lidar com casos de abusos.

    Fale com a Redação - leitor@grupofolha.com.br

    Problemas no aplicativo? - novasplataformas@grupofolha.com.br

    Publicidade

    Folha de S.Paulo 2024