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    Sobe para cinco o número de escolas estaduais invadidas na Grande SP

    FELIPE SOUZA
    DE SÃO PAULO

    12/11/2015 16h16 - Atualizado às 00h11

    Subiu para cinco o número de escolas estaduais ocupadas por estudantes em protesto contra a decisão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de fechar 94 unidades a partir de 2016. Pioneira, a ocupação do colégio Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, chegou ao seu terceiro dia nesta quinta-feira (12). A Justiça, porém, decretou a reintegração de posse do espaço em até 24 horas.

    Três desses colégios ficam na capital e outros dois na Grande São Paulo. A escola estadual Valdomiro Silveira, em Santo André (Grande SP) também chegou a ser ocupada por estudantes nesta quinta, mas, segundo a Secretaria de Estado da Educação, os alunos já deixaram o local e apenas fazem protestos do lado de fora da unidade.

    A escola estadual de Diadema, também na Grande SP, foi invadida na terça (10), mas os estudantes estão concentrados em apenas uma parte do pátio e as aulas estão acontecendo normalmente, segundo o governo.

    As duas últimas invasões ocorreram no colégio Castro Alves, em Santana (zona norte), e Heloísa Assumpção, em Osasco, também na Grande SP. Não há informações de quantos alunos protestam nessas unidades.

    No início da manhã desta quinta, cerca de cem estudantes ocuparam a escola estadual Salvador Allende Gossens, em Itaquera (zona leste). Eles quebraram os cadeados dos portões por volta das 5h e colocaram novos no lugar para controlar o acesso.

    A escola atende 494 alunos do ensino fundamental 2 e médio e tem apenas 26% de sua capacidade, de acordo com a Secretaria do Estado de Educação. A pasta informou que os estudantes do ensino médio e 8º e 9º anos do ensino fundamental serão transferidos para a escola estadual Professor Francisco de Assis Pires Corrêa, que fica a 1,3 km distante da escola atual.

    Já os alunos do 7º ano do ensino fundamental estudarão, a partir de 2016, na escola estadual Professora Maria de Lourdes Aranha de Assis Pacheco, a 1,1 km de distância. A diretoria de ensino da região diz que lamenta a interrupção das aulas e que a PM está no local para garantir o controle e a integridade de alunos e professores.

    Infográfico: Mudanças na educação

    O prédio da escola Salvador Allende será usado pelo Centro Paula Souza ou pela Prefeitura de São Paulo, que poderá transformá-la em creches ou pré-escolas. Os estudantes dizem ter decidido ocupar o local após a diretoria da escola anunciar o fechamento da unidade.

    Os estudantes trancaram os acessos às salas, biblioteca e laboratórios. A intenção é preservar o local e os materiais e trabalhos guardados. Eles pretendem ficar no local até serem recebidos pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) para negociar o funcionamento da escola no próximo ano letivo.

    A Secretaria de Estado da Educação afirma que tenta negociar com os estudantes da Fernão Dias Paes, em Pinheiros, mas não consegue. A pasta diz que o secretário Herman Voorwald abriu agenda para receber uma comissão de estudantes em seu Gabinete e disponibilizou um ônibus para o transporte.

    "Aceitamos o diálogo desde que seja aqui", afirmou Heudes Oliveira, 18, porta-voz dos alunos que ocupam a escola. "Isso é uma tentativa de nos tirar da escola. Ele pode vir aqui e conversar com todos os alunos. Agora é a vez da nossa voz, não da dele." Oliveira também foi porta-voz do MPL (Movimento Passe Livre) na articulação dos protestos de junho de 2013.

    Em nota, a secretaria estadual da Educação disse que está "aberta ao diálogo com manifestantes que estão ocupando os espaços escolares", mas criticou "movimentos político-partidários que não têm como objetivo a melhoria da qualidade de ensino" e impedem o direito dos outros alunos de estudarem.

    No próximo sábado (14), as unidades da rede estadual abrirão para receber pais e responsáveis para sanar eventuais dúvidas e passar informações sobre a reorganização das escolas.

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