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    ensino fundamental 2

    Educadores defendem diversificação de conteúdo a ser ensinado

    FABIANA FUTEMA
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    28/04/2016 02h00

    O documento preliminar da Base Nacional Comum Curricular, em apreciação no MEC, trata do conteúdo básico que deve ser ensinado nas escolas, como português e matemática, mas não mergulha em um ponto importante, de acordo com educadores: o ensino integral.

    A expressão "ensino integral" se refere à proposta de reorganização do tempo, do espaço escolar e dos conteúdos ensinados com o objetivo de promover o desenvolvimento pleno do aluno.

    Vista como benéfica pela maioria dos educadores, a modalidade vem crescendo de maneira rápida no Brasil.

    Dados do censo escolar mostram que o número de matrículas na modalidade integral em escolas públicas e privadas mais do que triplicou no país em quatro anos. Passou de 464.033 alunos em 2010 para 1.738.645 em 2014.

    Mas não basta ampliar a carga horária e aumentar a quantidade do que já é ensinado. É preciso diversificar.

    "Não adianta ter mais tempo de aula e dar mais do mesmo. Não tem apelo junto aos estudantes, que percebem isso e abandonam a escola", diz Patrícia Mota, da Itaú Social.

    "Se o ensino integral for pensado para oferecer mais do mesmo está fadado ao fracasso", completa.

    Especialistas defendem que o tempo extra seja usado também para desenvolver as chamadas "habilidades não cognitivas" dos alunos, como a criatividade. Isso pode ser feito, por exemplo, com aulas de músicas e de artes.

    "Se não tratar de ensino integral, a base curricular já nasce obsoleta", opina Anna Penido, do Inspirare, lembrando que o documento preliminar passa por esse tema apenas na sua introdução.

    Mais tempo na escola sem qualidade e sem currículo estruturado, no entanto, também não resolvem.

    "Ensino de tempo integral não trará nenhuma vantagem de conhecimento e vai escassear recursos já escassos.

    Evidências não mostram que isso necessariamente melhora o desempenho", opina o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista.

    Para ele, é preciso repensar outros gargalos da educação antes de se investir em ensino integral. "Não é uma coisa que vá fazer mal, mas no Brasil, como andam as coisas, pode piorar pela ineficiência da gestão."
    Patrícia Mota diz que toda essa discussão tem como alvo a questão da redução da desigualdade de condições.

    "Essa desigualdade que começa já na creche, quando o pai que pode pagar coloca o filho em uma instituição melhor."

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