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    escolha a escola

    Impacto do novo ensino médio no Enem e no vestibular ainda é incerto

    ALESSANDRA MILANEZ
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    10/09/2017 02h00

    Os estudantes que vão prestar o Enem em novembro devem se preparar para mudanças no exame. Até 2016 a prova era aplicada nos dois dias de um fim de semana, enquanto neste ano ocorre em dois domingos consecutivos, em 5 e 12 de novembro.

    A ordem das disciplinas também mudou: redação passa a ser cobrada no primeiro dia, com linguagens e ciências humanas, em uma prova com duração de cinco horas e meia. Os testes de matemática e ciências da natureza, com duração de quatro horas e meia, acontecem no segundo dia.

    Para tentar coibir fraudes, os cadernos das provas passam a ser personalizados, com nome e número de inscrição do participante. Outras alterações importantes são que o resultado do Enem por escola deixará de ser divulgado e que o exame não servirá mais como forma de certificação do nível do ensino para quem não concluiu os estudos no modelo regular.

    MAIS EXIGENTE

    Fernando da Espiritu Santo, coordenador do Sistema de Ensino Poliedro, afirma que a tendência é que a prova fique mais difícil.

    Ele explica que, até 2016, o Enem precisava focar tanto em quem queria obter a certificação do ensino médio -e tinha que obter cerca de 450 pontos- como naquele que buscava 800 pontos para disputar uma vaga concorrida na universidade. Como a abrangência era muito grande, a diferenciação se tornava muito estreita, em décimos. Agora o exame pode ter questões mais difíceis, o que ajudará nessa diferenciação.

    Já a divisão do Enem em dois finais de semana é vista como uma mudança positiva por João Vitor Guerreiro Amaral, 18. "É uma prova muito cansativa. Dessa forma, a gente consegue descansar", afirma Amaral, que terminou o ensino médio em 2016 e fará o exame pela terceira vez.

    Espiritu Santo concorda com a estratégia de Amaral de fazer o exame desde o começo do ensino médio. "Quando o aluno deixa para fazer a prova pela primeira vez no momento definitivo, já sai um pouco defasado, porque vai ficar nervoso e não vai apresentar todo o desempenho que poderia ter", afirma o educador.

    NADA A VER

    As mudanças no Enem para este ano não têm relação com a reforma do ensino médio, que, embora aprovada, depende da definição da Base Nacional Comum Curricular -que está em elaboração pelo governo- para ser implementada. O que significa dizer que boa parte da reforma só deva sair do papel a partir de 2019. Neste ano, portanto, não há impacto no Enem nem dos vestibulares.

    Especialistas ouvidos pela Folha afirmam, no entanto, que tanto o Enem como os vestibulares deverão ter que se adequar caso a reforma venha a ser implementada nos moldes em que foi aprovada. Isso porque o novo ensino médio prevê não mais um conteúdo único, mas a oferta de diferentes áreas de conhecimento aos alunos.

    "Se vai haver um ensino médio diversificado, não faz sentido ter uma prova única, o Enem também vai ter que passar por mudanças", afirma Ricardo Falzetta, consultor editorial do movimento Todos pela Educação.

    Para Gilberto Alvarez, diretor do cursinho da Poli, em São Paulo, a tendência é que a prova mantenha o conceito atual, que é cobrar do estudante habilidades de compreender e analisar, e não voltar a ser mais conteudista, como foi no passado.

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