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    escolha a escola

    Adolescentes devem ser ouvidos sobre troca de escola, mas adultos decidem

    BRUNO MOLINERO
    DE SÃO PAULO

    10/09/2017 02h00

    No nono ano do ensino fundamental, muitos alunos se deparam com um impasse tão complexo quanto a adolescência: quem deve escolher o colégio de ensino médio, os filhos ou os pais?

    Gabriel Bartoly, 13, está terminando o fundamental neste ano e já tinha um plano. Como sua escola, a Camb, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, só tem turmas até o nono ano, o garoto pretendia ingressar no Benjamin Constant, no mesmo bairro.

    "Mas meu pai me fez perceber que era um pouco longe de casa. Eu precisaria pegar metrô, teria menos tempo para estudar. Acabamos escolhendo uma que fica mais perto", conta Bartoly.

    De acordo com pedagogos e psicólogos, os adolescentes precisam ser escutados sobre a mudança. Mas a palavra final é sempre dos pais.

    "Não é justo depositar uma responsabilidade dessa grandeza em um jovem. Eles devem ser escutados, claro. Mas essa escuta precisa ser feita por um adulto, com visão crítica, que pondere e decida o que é melhor. Não é uma conversa entre pares", diz Priscila Campanholo, diretora pedagógica da escola Carlitos, de São Paulo, que só oferece turmas até o fundamental.

    A especialista em psicopedagogia Irene Maluf concorda. "Nessa fase, o aluno ainda está desenvolvendo a capacidade de abstração. Não tem total capacidade de escolha. Quando escolhe, geralmente escolhe errado."

    Para minimizar conflitos, adultos podem selecionar duas ou três escolas que atendam às suas expectativas, mas dar a palavra final ao jovem. Assim fizeram os pais de Clarisse Rossi, 14.

    Entre as opções oferecidas, ela elegeu o Poliedro para estudar em 2018. "Escolhi porque é um lugar que prepara para o vestibular. Mas foi tudo conversado", diz a garota.

    GESTÃO DE CRISE

    Nem sempre a conversa flui entre adultos e adolescentes. Filhos podem querer seguir os amigos para uma escola da qual os pais não gostam. Além disso, a reforma do ensino médio, com o surgimento de áreas eletivas, deu mais um ingrediente para que adultos e jovens entrem em rota de colisão.

    "As escolas que visitei não souberam explicar como vão aplicar as novas regras", diz Laura Tabuse, 13. "É importante para mim, quero um lugar que priorize liberdade de expressão e ensino crítico."

    Para Irene Maluf, "se uma criança estuda em um colégio construtivista durante todo o fundamental, tem grandes chances de não se adaptar a um lugar que priorize só o vestibular. O pai deveria ter optado antes por uma escola com esse perfil".

    Algumas práticas podem minimizar atritos. Uma delas é a família visitar junta diferentes colégios e avaliar as melhores opções.

    "Outra é procurar a escola de ensino fundamental. Os coordenadores podem traçar um perfil pedagógico do aluno e levar informações que muitas vezes os pais não têm", avalia Campanholo.

    "Assim é possível mostrar se o aluno é compatível com o tipo de ensino médio que está sendo escolhido."

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