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    SOS Mau Hálito: dentistas usam até laser para tentar resolver o problema

    PHILLIPPE WATANABE
    DE SÃO PAULO

    06/02/2017 02h00

    Tim McCune/Flickr
    O mau hálito, de forma geral, é causado por bactérias que se alojam na boca
    O mau hálito, de forma geral, é causado por bactérias que se alojam na boca

    Todo mundo conhece alguém que tem mau hálito. E, se uma pessoa não conhece, há grande chances de ela mesma sofrer desse mal.

    Também chamado de halitose, a condição afeta 30% da população. Recentemente os dentistas têm investido no uso de lasers para combater essa detestável condição.

    O mau hálito, de forma geral, é causado por bactérias que se alojam na boca. Elas se associam e formam um agregado, uma espécie de pasta esbranquiçada, principalmente na língua –o biofilme, também chamado de saburra.

    "Biofilme é uma organização criminosa", brinca Silvia Pontes, da ABHA (Associação Brasileira de Halitose). Ela apresentou um trabalho relacionado ao tema no Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, que terminou no último sábado (4).

    Nada disso, contudo, costuma ser um problema quando há uma boa higiene bucal. "Primeiro higieniza a língua, depois passa o fio dental e, por fim, ocorre a escovação dos dentes", afirma Vinícius Pedrazzi, professor de odontologia da USP de Ribeirão Preto.

    Outra "bandida" é a alteração na produção de saliva. Caso o fluido esteja muito gosmento ou apareça em pequena quantidade, o ambiente se torna favorável para a proliferação da quadrilha. "A saliva é o nosso detergente bucal natural", diz Rosilene Uliana, da comissão de halitose do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp).

    Especialmente nesses casos de produção alterada de saliva, os lasers têm se mostrado bons combatentes. Eles já são utilizados para outros propósitos na odontologia, como em tratamentos de aftas e de sensibilidade exacerbada dos dentes.

    DE ONDE VEM O MAU HÁLITO

    No caso do mau hálito, em um dos procedimentos possíveis, o feixe de luz é direcionado às glândulas salivares. Esse laser, em alguma medida, consegue normalizar a produção de saliva. "Tem uma função reparativa",
    afirma Pontes.

    A técnica também pode ser utilizada de forma mais direta para controlar a população de bactérias. Sim, se você imaginou bactérias sendo torradas, como em um jogo de videogame, você chegou perto da ideia do procedimento.

    Nesta incursão, primeiro o dentista faz a remoção do biofilme presente na língua. Em seguida, passa uma solução (com concentração adequada) de azul de metileno.

    Por fim, é aplicado o laser de baixa potência na área. Esse procedimento ajuda a matar as bactérias, mantendo as suas populações sob controle. Contudo, segundo os especialistas ouvidos, ainda não é um procedimento muito comum.

    Adeus, mau hálito

    SOS MAU HÁLITO

    Essa abordagem mais tecnológica do tratamento da halitose só é utilizada em casos específicos. Os candidatos são pessoas, por exemplo, que tiveram a produção de saliva alterada devido a radioterapias ou que possuem as glândulas salivares atrofiadas.

    Desse modo, os tratamentos mais tradicionais ainda devem ser os mais utilizados. "Água é um santo remédio", afirma o professor de odontologia Pedrazzi. Indica-se a ingestão de dois a três litros de água por dia, o que mantém boca e corpo hidratados.

    Além disso, certos tipos de alimento podem ressecar a boca ou fomentar o crescimento de bactérias –proteínas são um prato cheio para elas. Desse modo, os especialistas afirmam que é importante evitar o consumo excessivo de comidas muito condimentadas, apimentadas e gordurosas. Também, claro, deve-se tomar cuidado com a ingestão de um grande excesso de proteína (carnes e laticínios são ricos no nutriente).

    Se o dentista não for bem treinado, existe o risco tanto de o tratamento ser inócuo quanto de ser deletério, seja matando bactérias demais (existem aquelas não tão malvadas assim) e até ferindo o paciente, no caso de laser de alta potência aplicado por um período prolongado.

    Além disso, por serem novos, ainda não se sabe todas as possíveis consequências de longo prazo desses tratamentos. "Algumas modalidades só servem para dar dinheiro e fama para alguns profissionais", diz Pedrazzi.

    Quando o tema é mau hálito, existe um tabu a ser quebrado. Como os próprios pacientes não sentem o próprio hálito (por conta da fadiga olfatória –que é acostumar-se a um cheiro), é importante que amigos e parentes cometam a indelicadeza de avisar quem sofre da condição.

    Para evitar constrangimentos, há até um serviço anônimo de "denúncia". É o SOS Mau Hálito, da ABHA.

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