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    Fiocruz desenvolve técnica que enxerga zika dentro de célula humana

    ESTELITA HASS CARAZZAI
    DE CURITIBA

    26/07/2017 02h00

    Theo Marques/Folhapress
    Cláudia Santos, da Fiocruz Paraná, olha para imagem do vírus da zika em equipamento
    Cláudia Santos, da Fiocruz Paraná, olha para imagem do vírus da zika em equipamento

    Um laboratório da Fiocruz no Paraná está realizando um teste inédito no país para o diagnóstico por imagem do vírus da zika.

    Os equipamentos, que estão em operação há cerca de seis meses, conseguem "fotografar" a ação do vírus nas células e aumentam a precisão e a escala do diagnóstico –já que têm capacidade de analisar cerca de 1.500 amostras por hora.

    "É um número fantástico", diz a virologista Cláudia Nunes Duarte dos Santos, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz Paraná. O grupo foi responsável pela confirmação, através do sequenciamento do genoma viral, em maio de 2015, da presença do vírus da zika em oito amostras vindas do Rio Grande do Norte.

    O Brasil registrou, para se ter uma ideia, 215 mil casos prováveis de zika durante todo o ano de 2016.

    A média é de 4.000 casos notificados por semana –amostras que seriam analisadas em pouco menos de três horas de trabalho no novo equipamento.

    "Isso vai mudar a cara do diagnóstico que está sendo feito hoje", avalia Santos.

    Uma das vantagens da nova técnica, por exemplo, seria promover o teste em um número expressivo de pessoas a um custo baixo –e não somente em grávidas ou pacientes que apresentam sintomas, como é feito hoje.

    Quem vive em áreas de risco para o mosquito Aedes aegypti ou quem planeja engravidar e quer saber se foi infectado pelo vírus, poderia passar pelo diagnóstico.

    "É uma doença com desdobramentos muito grandes, com impacto social, bebês com malformações, e que nem sempre apresenta sintomas", comenta a virologista. Para ela, o teste abre uma perspectiva de tratamento e planejamento familiar.

    Outra vantagem é a exatidão do teste: ele consegue diferenciar zika e dengue com uma precisão de 91% –a média dos exames feitos hoje é de 50%.

    Os dois vírus, ambos transmitidos pelo Aedes aegypti, são da mesma família e apresentam reações muito semelhantes. "Eles compartilham as mesmas proteínas; é muito difícil", diz Santos. Com o diagnóstico por imagem, a diferenciação entre os dois é mais precisa.

    Isso diminui a chance de falsos positivos e dá mais efetividade ao tratamento.

    TESTE NOVO

    Atualmente, o Ministério da Saúde aplica outros dois testes para o diagnóstico da zika. Um deles, desenvolvido pela Bahiafarma, faz um diagnóstico rápido da doença em gestantes com sintomas e outros grupos prioritários, a partir de uma amostra de sangue, em até 20 minutos.

    Outro, desenvolvido pela Fiocruz do Rio, faz a diferenciação entre zika, dengue e chikungunya, mas apenas em pacientes que estejam na fase aguda da doença, com sintomas.

    A nova tecnologia está em processo de patenteamento e em fase final de validação. Até agora, cerca de cem amostras foram testadas. No mês passado, o laboratório começou a receber amostras de pacientes da rede pública, encaminhadas pelo Laboratório Central do Paraná, para serem analisadas pelo novo protocolo.

    A expectativa é que, a partir do final do ano, a Fiocruz Paraná ajude a descentralizar o diagnóstico de zika em uma eventual epidemia, recebendo amostras das regiões mais afetadas e aumentando a velocidade e precisão do tratamento.

    O laboratório tem duas máquinas que realizam o teste –cada uma custa cerca de R$ 2 milhões. Uma delas foi financiada pelo BNDES, e outra, doada por uma instituição filantrópica europeia.

    No futuro, a ideia é que outros vírus emergentes possam ser diagnosticados com o mesmo aparelho, como a febre amarela. Os pesquisadores da instituição já começaram a trabalhar no desenvolvimento de protocolos para outras doenças.

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    Na fotografia

    Novo teste da Fiocruz identifica vírus da zika por imagem

    Como funciona

    • Centenas de amostras são colocadas em um equipamento semelhante a um freezer
    • A máquina "fotografa" a ação do vírus da zika nas células
    • Em uma hora, cerca de 1.500 amostras são testadas simultaneamente
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