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    Zika virou ameaça por uma única mutação em 2013, dizem cientistas

    JULIE STEENHUYSEN
    DA REUTERS

    28/09/2017 20h43

    Lalo de Almeida/Folhapress
    Surto de microcefalia levou OMS a declarar emergência internacional
    Surto de microcefalia levou OMS a declarar emergência internacional

    Uma única mudança genética ocorrida em 2013 pode ser a explicação para o vírus da zika atacar células nervosas de fetos –e, com isso, causar a microcefalia. A descoberta feita por pesquisadores chineses e americanos foi publicada nesta quinta-feira (28) na revista científica "Science".

    Os cientistas se perguntavam e tentavam explicar como um vírus como o da zika –descoberto em 1947 e até recentemente relacionado somente a sintomas leves– poderia repentinamente provocar milhares de casos de malformação fetal no Brasil.

    O surto de microcefalia levou a OMS (Organização Mundial da Saúde) a declarar emergência internacional em 2016 e dar início a pesquisas para determinar se a zika estaria mesmo relacionada à malformação de fetos.

    Grupos de pesquisas já conseguiram rastrear o vírus que circula em terras brasileiras e em outros países da América do Sul, que seria de uma linhagem que há décadas está presente no Ásia.

    No estudo, pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências compararam amostras do vírus da América do Sul com outras que haviam sido coletadas em 2010 no Camboja.

    Eles, então, criaram sete variações do vírus sul-americano –cada uma com um única diferença genética da linhagem do Camboja– e os colocaram em contato com os cérebros de fetos de camundongos. Todas as versões causaram algum grau de dano.

    Contudo, os cérebros infectados com o vírus com a mutação na estrutura proteica prM desenvolveram microcefalia grave. Essa mesma linhagem se provou a mais letal às células cerebrais.

    Zika e microcefalia

    Os pesquisadores estimam que a alteração genética tenha ocorrido em maio de 2013, pouco antes de um surto de zika na Polinésia Francesa –local com os primeiros registros da microcefalia e da síndrome de Guillain-Barré.

    "Nossas descobertas oferecem uma explicação para o inesperado nexo causal entre a zika e a microcefalia. Isso poderá a ajudar no entendimento de como o vírus evoluiu de algo inócuo para um patógeno com impacto mundial", afirmaram os pesquisadores.

    Pei-Yong Shi, um dos autores do trabalho, afirmou que outras mutações também foram relevantes para a epidemia. Entre elas, está uma que potencializou a habilidade do vírus de infectar o Aedes aegypti, o vetor da doença.

    Em novembro de 2016, a OMS declarou que a microcefalia não era mais uma emergência internacional.

    O órgão, porém, afirmou que continuaria a trabalhar contra o surto com um "programa robusto" e que não estava diminuindo a importância da doença, mas, sim, passando a mensagem de que a condição veio para ficar.

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