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    Ainda precisamos de agrotóxicos, diz associação agropecuária

    PHILLIPPE WATANABE
    DE SÃO PAULO

    10/11/2017 02h00

    Gabo Morales/Folhapress
    Estudo recente da ONG Greenpeace mostrou presença irregular de agrotóxicos em alimentos
    Estudo recente da ONG Greenpeace mostrou presença irregular de agrotóxicos em alimentos

    Os agrotóxicos ainda são essenciais para a agricultura, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), órgão representante de produtores rurais.

    "Não é nem questão de falta de vontade de deixar de utilizar", diz Reginaldo Minaré, consultor da CNA. "O agricultor não vai perder o sono se amanhã a ciência e a tecnologia permitirem que se produza com segurança e com competitividade sem o uso de agrotóxicos."

    A organização agropecuária questiona a credibilidade do recente estudo da ONG Greenpeace que encontrou presença irregular de agrotóxicos em alimentos.

    "A divulgação de dados não oficiais e sem a chancela da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] contribui para denegrir a imagem do modelo agrícola brasileiro e compromete a credibilidade do poder público", diz carta da CNA enviada à agência sanitária na quarta (8).

    O estudo do Greenpeace –que analisou 113 kg de alimentos separados em 50 grupos– encontrou 18 amostras irregulares, a maior parte delas (15) com a presença de resíduos que não deveriam ser usados na cultura em questão.

    Marina Lacôrte, representante da ONG, afirmou que as análises não tinham a finalidade de monitoramento como a Anvisa faz, mas, sim, de demonstrar a presença contínua dos resíduos em alimentos.

    A Anvisa, no último relatório Para (Programa de Análise de Agrotóxicos em Alimentos), relativo aos anos de 2013 a 2015, analisou 12.051 amostras. Destas, 2.371 (cerca de 20%) foram consideradas insatisfatórias, a maior parte delas também por resíduos de agrotóxicos não autorizados para a cultura.

    Segundo Reginaldo Minaré, um dos motivos para resíduos não autorizados é a morosidade para o registro de agrotóxicos. "Muitos agricultores têm acesso restrito a produtos para culturas e alguns [usam] por indicação", diz.

    O consultor da entidade agropecuária afirma também que não se faz no Brasil uso indiscriminado de agrotóxicos, pois o produto é caro, o que "desmotiva o agricultor a usar de forma exagerada". "Mas, como qualquer outro setor produtivo do mundo, algumas falhas podem ocorrer."

    Segundo a CNA, as irregularidades que são encontradas não necessariamente se convertem em perigos para a saúde do consumidor. A associação diz também fazer capacitação de produtores para evitar erros.

    "Quase nada se fala do uso nas cidades, em jardins, nas residências. Isso ocorre em grande escala e não tem a mesma crítica", diz Minaré.

    A última versão do Para levanta a questão dos possíveis riscos associados à detecção de mais de um agrotóxico com o mesmo modo de ação. "Essa situação não é uma preocupação que nós temos", afirma Minaré. "Se isso não está no rótulo e na bula não tem como você fazer uma recomendação ou até mesmo ter isso como uma preocupação."

    O Para da Anvisa afirma que, de forma geral, a maior parte dos alimentos monitorados apresentam nível de segurança aceitável quanto a riscos de intoxicação por resíduos de agrotóxicos.

    Procurada, a Anvisa diz ainda não ter posicionamento sobre o ofício enviado pela CNA.

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