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    Palmeiras entra em choque com construtora do estádio

    PAULO VINÍCIUS COELHO
    COLUNISTA DA FOLHA
    BERNARDO ITRI
    DO PAINEL FC

    04/09/2013 03h03

    O Palmeiras não sabe quantos assentos poderá oferecer aos seus torcedores em seu próprio estádio.

    O motivo é o conflito, mais acentuado a cada dia, com a construtora WTorre por espaço na arena paulistana, que deve ser aberta ao público em maio de 2014.

    Não há consenso entre clube e construtora sobre quantas cadeiras cada parte poderá negociar. Por incrível que pareça, o contrato, ao qual a Folha teve acesso, não indica como será essa divisão.

    Do total de 45 mil assentos previstos, o clube acredita ter direito de oferecer 35 mil para seus torcedores.

    A WTorre, no entanto, quer mais. Para a empresa, cabe a ela um número maior que as 10 mil propostas pelo Palmeiras. Mais assentos para a construtora significaria, entre outras coisas, sufocar o programa de sócio-torcedor, que dá benefícios, como descontos no preço dos ingressos, para quem é membro.

    As cadeiras negociadas pela construtora serão alugadas anualmente por um custo muito mais alto do que os assentos comuns que estarão sob o domínio do Palmeiras.

    A última reunião entre as duas partes aconteceu no último dia 23 em meio a tensão. Mas o imbróglio é antigo.

    Antes mesmo da eleição do presidente Paulo Nobre, em janeiro deste ano, o grupo que hoje conduz o Palmeiras questionava a relação das diretorias anteriores com a empreiteira.

    Entre o que foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube e o contrato assinado, a atual gestão do Palmeiras julga haver divergências.

    Pelo projeto inicial, sem valor de contrato, a construtora teria o direito de vender 10 mil cadeiras. "O previsto era isso, não sei como está agora. Mas não adianta brigar com a WTorre, o Palmeiras vai perder", diz José Cyrillo Júnior, conselheiro que negociava com a construtora na gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo (2009-2010).

    Meses mais tarde, em nova rodada de reuniões, diretores da WTorre propuseram 22 mil cadeiras a serem exploradas. Feitas as contas, era o modo de tornar o negócio viável para a construtora.

    A WTorre cogita, inclusive, vender até mesmo a totalidade de cadeiras: 45 mil.
    Não há números "certos" ou "errados". Assinado por ambas as partes, o contrato não determina a quantia exata a ser explorada pela construtora.

    O documento diz apenas que cabe à WTorre negociar cadeiras e camarotes --e a maior parte das receitas com essas operações vai para a construtora. Mais cadeiras para a WTorre implicam menos receita para o Palmeiras.

    O impasse, tido por muitos envolvidos como insolúvel, é um forte baque na relação de clube e WTorre, programada para durar 30 anos.

    "O caso pode ir para a arbitragem", diz o diretor da WTorre e ex-diretor de marketing palmeirense, Rogério Dezembro. De acordo com o contrato, se houver discórdia entre as partes, um mediador externo será nomeado para resolver as pendências.

    E DAÍ?

    Como este imbróglio afeta o torcedor palmeirense?

    O Palmeiras reforçou seu programa de sócio torcedor, que chegou a 31 mil integrantes e planeja terminar o ano com 40 mil membros.

    Permitir que a WTorre negocie 22 mil cadeiras é um risco para o projeto. Nesse caso, sobrariam apenas 23 mil lugares para os atuais sócios.

    A ameaça de a WTorre negociar todos os lugares aumentaria o problema, já que as cadeiras comercializadas pela construtora serão exclusivas de seus compradores.

    Outros pontos geram discórdia. Um deles é o prédio onde ficam as quadras. A comissão de conselheiros, nomeada para negociar com a WTorre, entende que a edificação tem metragem menor do que o prometido. A construtora nega e diz que as mudanças no projeto foram só as pedidas pela prefeitura.

    O clube reivindica também a retirada das cadeiras atrás dos gols para os torcedores assistirem às partidas em pé. A WTorre, porém, é contra.

    Editoria de Arte/Folhapress
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