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    Brasil encerra parceria com time que tem 6 campeãs mundiais de handebol

    MARCEL MERGUIZO
    PAULO ROBERTO CONDE
    DE SÃO PAULO

    14/02/2014 16h54

    A Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) anunciou nesta sexta-feira o encerramento da parceria que tinha com o clube austríaco Hÿpo No desde 2011.

    As duas partes tentaram negociar uma extensão do vínculo ao longo desta semana, mas não foi possível chegar a um consenso. O rompimento vem após mais de dois anos de parceria frutífera.

    O Hÿpo concentrava a base da seleção brasileira feminina, que se sagrou campeã mundial pela primeira vez na história, em dezembro, na Sérvia.

    Do elenco de 16 jogadoras que conquistaram o Mundial, seis jogavam no time austríaco. Ao todo, oito brasileiras jogam no Hÿpo.

    Uma delas, a ponta Alexandra Nascimento, foi eleita a melhor jogadora do mundo de 2012. As demais campeãs são a goleira Babi (melhor do Mundial-2013), a armadora Deonise, a central Ana Paula, a ponta Fernanda e a pivô Fabiana.

    "O clube já não estava dando conta do que a confederação estava pedindo, que eram mais jogadoras de alto nível como as brasileiras. Estávamos sobrecarregadas", disse Alexandra à Folha.

    Ela estava há 11 anos no Hÿpo e era a capitã da equipe. Ontem, assinou contrato com o clube Baia Mare, da Romênia, para onde também vai a goleira Babi. "Está sendo difícil essa mudança".

    Todas as brasileiras devem deixar o Hÿpo a partir de maio, quando acabam os contratos.

    O clube austríaco era treinado desde agosto passado pelo dinamarquês Morten Soubak, também técnico da seleção brasileira. À Folha, o técnico afirmou que agora deve voltar para o Brasil.

    "Minha situação deve voltar a ser como antes, quando eu tinha como base o Brasil e de lá fazia as convocações", disse.

    Soubak não sabe se a CBHb tem planos de fazer parceria com outro time. "Não fico chateado, são coisas que acontecem no esporte."

    A própria situação do dinamarquês ainda está indefinida. Ele tem contrato com a CBHb até o final deste ano, mas não houve acerto por enquanto. Soubak revelou que tem recebido muitas propostas.

    "Depois do título mundial, o mundo inteiro mostrou grande interesse por nós. Os olhos internacionais foram atrás das meninas do Brasil e do técnico."

    Um dos motivos para o fim da parceria é o pouco investimento dos austríacos, segundo a CBHb. Ainda conforme a entidade, o Hÿpo não investia o suficiente no que lhe cabia para formar uma equipe competitiva.

    O clube austríaco ainda não foi encontrado para comentar o fim da parceria. Além do título mundial, o Brasil também havia obtido bons resultados internacionais já com o vínculo com o Hÿpo, como o 5º lugar no Mundial de 2011 e o sexto lugar nos Jogos Olímpicos de Londres-2012.

    A CBHb tem à disposição R$ 9,4 milhões só para preparar as seleções para a Olimpíada do Rio, em 2016. Os recursos advêm do Ministério do Esporte, dos Correios e do Banco do Brasil. Ela também tem previsão de ganhar R$ 3,7 milhões da Lei Piva em 2014.

    Desde 2011, o Hÿpo No era uma espécie de base da seleção feminina na Europa, graças ao dinheiro investido em conjunto pela confederação e pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro).

    A partir de agora, as jogadoras devem se separar. No entanto, para a temporada 2015/2016 há um projeto da confederação para a equipe nacional ficar o ano anterior aos Jogos Olímpicos do Rio junta novamente, seja em um clube europeu, por meio de convênio, seja como seleção permanente treinando no Brasil.

    A preocupação de Alexandra com a seleção é tamanha que fez exigências contratuais que permitam ela ser liberada para os treinos com a equipe do Brasil em qualquer época do ano. Além disso, apesar do contrato com o time romeno ser válido por dois anos (até a Olimpíada do Rio), ela vai renegociar o vínculo em meados de 2015 pois acredita que vá voltar a jogar com as outras atletas da seleção.

    "Com certeza [o fim do convênio com o Hÿpo] vai atrapalhar a seleção. Mas somos profissionais e, depois do Mundial, somos vistas de outra forma na Europa. Não teve briga, foi tranquila, mas eles [do Hÿpo] já não tinham como manter seis campeãs do mundo no time. Não caiu como uma bomba aqui, foi transparente desde o Mundial, quando sabíamos que podia acabar", explicou Alexandra.

    A ponta da seleção brasileira também vai levar o marido, o jogador de handebol chileno Patrício Martinez, para jogar na equipe masculina do Baia Mare, um dos principais da Romênia. A melhor do mundo em 2012 queria encerrar a carreira no Hÿpo, em 2016.

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