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    Pioneira, Alemanha tem guia para jogadores gays saírem do armário

    PAULO PASSOS
    DE SÃO PAULO

    16/09/2014 12h00

    Atual campeã do mundo e dona de um dos campeonatos mais fortes da Europa, a Alemanha é pioneira no combate à homofobia no futebol. Campanhas como a divulgada pelo Corinthians na última sexta-feira (12), pedindo para que os torcedores não xinguem os jogadores rivais de "bicha", são comuns no país.

    Desde 2012, dirigentes dos clubes da Bundesliga e da federação local, a DFB (Deutscher Fussball-Bund), incentivam os torcedores a não gritarem cantos homofóbicos nos estádios.
    A medida mais ousada, porém, foi tomada em 2013, quando a DFB publicou uma cartilha incentivando jogadores gays a saírem do armário. O documento de 28 páginas "Homossexualismo e o futebol" foi enviado para mais de 20 mil clubes do país.

    A ideia da cartilha surgiu após uma grande polêmica no futebol alemão, quando um jogador deu uma entrevista à revista "Fluter" e revelou sua homossexualidade. A identidade do atleta, entretanto, foi mantida sob sigilo. Ele alegou que seria impossível seguir jogando sendo gay assumido.

    No guia da DFB há perguntas e respostas sobre temas tabus. Num dos tópicos, por exemplo, é questionado se um jogador homossexual "não teria problemas na hora do banho no vestiário com outros atletas? Resposta: Homens gays, assim como heterossexuais, não pensam exclusivamente em sexo". A cartilha orienta que os atletas devem anunciar a sua orientação sexual após o final da temporada, para evitar maior pressão dos torcedores.

    "O guia é para os atletas, para dirigentes e técnicos também. É para mostrar como eles podem sair do armário, como agir com a pressão da mídia. Mas mais do que os jogadores é para ajudar os dirigentes, os técnicos sobre o que eles devem falar, que mensagem devem passar", explica Gerd Dembowski, sociólogo da Universidade de Hannover e consultor da DFB.

    Em janeiro de 2014, o ex-meio-campista Thomas Hitzlsperger, 31, que jogou pela seleção da Alemanha de 2004 a 2010, assumiu sua homossexualidade. Foi o primeiro jogador alemão de renome a dizer que é gay.

    "Declaro minha homossexualidade porque desejo que essa questão avance no mundo do esporte profissional", afirmou Hitzlsperger em uma entrevista à revista alemã "Die Zeit". Segundo ele, a consciência de sua homossexualidade "foi um processo longo e difícil". "Foi só nos últimos anos em que me dei conta que preferia viver com um homem", afirmou o ex-jogador, que se aposentou em setembro de 2013.

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