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    Corrupção no futebol

    Uefa ameaça esvaziar Mundial de Clubes e futebol na Olimpíada

    BERNARDO ITRI
    LEANDRO COLON
    DE ENVIADOS ESPECIAIS A ZURIQUE

    01/06/2015 02h00

    A guerra declarada entre o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e a Uefa, dirigida pelo francês Michel Platini, após o reeleição do suíço em meio ao escândalo de corrupção pode esvaziar pelo menos dois eventos esportivos que interessam aos brasileiros: o torneio de futebol da Olimpíada de 2016 e o Mundial de Clubes de 2015.

    No próximo sábado (6), a cúpula da Uefa se reúne para decidir os próximos passos a tomar depois da reeleição de Blatter a um quinto mandato.

    O encontro será em Berlim, na Alemanha, onde no mesmo dia realiza-se a final da Liga dos Campeões entre Juventus e Barcelona.

    Blatter, aliás, não estará na final da competição continental mais badalada do mundo –segundo a Fifa, é um comportamento dele dos últimos anos de priorizar somente disputa entre seleções.

    A ameaça da Uefa de boicote à Copa do Mundo, uma campanha liderada pela federação inglesa, é vista como um gesto radical e improvável, diante do poder financeiro e histórico do evento –o próprio Platini, em tese, tem sido contra.

    Ainda mais porque parte da Uefa, incluindo as federações espanhola e francesa, é próxima ao presidente da Fifa e teria inclusive votado nele na eleição, e não no candidato apoiado pelos demais europeus, o príncipe Ali bin Al-Hussein.

    Diante deste cenário, para manter o discurso contra a gestão Blatter, avalia-se ao menos hipótese de esvaziamento de eventos organizados pela Fifa, entre eles os Jogos Olímpicos e o Mundial de Clubes.

    O futebol na Olimpíada já não é uma competição valorizada pelos europeus, que terão quatro vagas entre as 16 participantes no masculino. Enviar ao Rio de Janeiro em 2016 equipes inexpressivas e sem estrelas seria uma forma de "boicotar" a disputa.

    Blatter usou a Olimpíada como parte do fortalecimento de sua gestão. Não à toa, o presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, discursou na cerimônia de abertura do congresso da Fifa, em Zurique, na quinta (28).

    O Mundial de Clubes vem logo em seguida. É outra bandeira da gestão de Blatter, que idealizou o atual modelo de disputa entre os campeões de cada continente como um gesto para diminuir a polarização Europa-América do Sul e valorizar as demais regiões, menos prestigiadas em termos de clubes e que dependem da Fifa financeiramente.

    Na última quinta, ao anunciar o voto no adversário de Blatter, Michel Platini disse que a Uefa não descarta nenhuma possibilidade de retaliação, incluindo a Copa do Mundo.

    Para Jérôme Champagne, ex-dirigente braço-direito de Blatter na Fifa e que chegou a lançar-se candidato à recente eleição, a Uefa blefa quando ameaça boicotar uma Copa do Mundo.

    "As federações [vinculadas à Uefa] tem independência e são as verdadeiras donas da Fifa, porque votam, e não as confederações. Além disso, a Copa do Mundo é muito mais universal e popular do que uma Liga dos Campeões", disse à Folha.

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