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    Aos 19, ginasta que sustenta a família ganha 1º ouro da Guatemala no Pan

    MARCEL MERGUIZO
    ENVIADO ESPECIAL A TORONTO

    15/07/2015 10h50

    Hector Retamal/AFP
    Jorge Alfredo Vega López, da Guatemala, durante a prova de solo
    Jorge Alfredo Vega López, da Guatemala, durante a prova de solo

    Jorge Alfredo Vega López caminhava com dois de seus cinco irmãos por uma das ruas de Antigua Guatemala quando se deparou, por acaso, pela primeira vez com a ginástica. A partir daquele momento, aos oito anos, passaria a entrar diariamente no ginásio que mudaria sua vida.

    Então começou a treinar o esporte que lhe tiraria da pequena cidade de Jocotenango, com cerca de 18 mil habitantes. Os dois irmãos não tiveram a mesma sorte e deixaram a ginástica –em um acidente, um perdeu um olho e o outro sofreu uma grave lesão na perna.

    Mas Jorge Alfredo continuou sua jornada. Três anos depois de sua iniciação no esporte deixou a mãe, três irmãos e duas irmãs para morar na capital da Guatemala. O pai ele nunca conheceu.

    Nesta terça-feira (14), no Canadá, o ginasta surpreendeu a todos e conquistou o título no solo no Pan de Toronto. Foi o primeiro ouro da Guatemala nestes Jogos e o primeiro da história do país da América Central na ginástica masculina (ganhara na feminina em 2011).

    Nesta quarta-feira (15), dia em que completa 20 anos, ele volta a competir no Coliseu de Toronto em busca de mais um pódio, agora no salto.

    "Eu queria ganhar um Pachi [mascote do Pan]", disse o ginasta que sonha em comprar uma casa própria para a mãe e os irmãos. "Nunca imaginei que poderia tocar este ouro".

    Para treinar ginástica longe do vilarejo onde vivia, a mãe dava 30 dos 100 dólares que ganhava diariamente para o garoto pagar transporte e alimentação. Hoje é ele quem dá dinheiro aos familiares.

    "Não ganho quase nada [com a ginástica] e tenho que sustentar meus irmãos", contou Jorge.

    Quando perceberam seu talento, ele passou a receber ajuda de Patricia de Rosales, presidente da federação de ginástica da Guatemala, a quem considera como uma mãe e dedicou o ouro desta terça.

    E se em suas apresentações o garoto de 1,48 m parece voar, quando pensa no futuro o campeão pan-americano mantém os pés no chão e nem sequer acredita que se classificará para os Jogos Olímpicos do Rio.

    "Estamos planejando ir para Tóquio-2020, mas quando formos vai ser para fazermos algo", afirmou.

    A opinião é compartilhada por seu técnico, Sérgio Tejada.

    "É grande a evolução dele. Não para o Rio, mas, na próxima Olimpíada, com certeza, ele vai. Temos uma perspectiva muito grande. Pode ser medalhistas nos Jogos Olímpicos de 2020, no solo e no salto", projetou Tejeda.

    Segundo o treinador, além das conquistas esportivas, Jorge quer aproveitar o esporte para ajudar as pessoas.

    "É um feito histórico [para Guatemala]. Pararam as aulas para ver pela internet a apresentação dele. Ele dá um pouco de alegria ao povo em meio à tanta violência", contou o treinador, que também não acreditava no título no Pan.

    "Pensávamos na prata, mas Deus nos deu um empurrãozinho", concluiu.

    Hector Retamal/AFP
    O guatemalteca Jorge Alfredo Vega López comemora a medalha de ouro no pódio
    O guatemalteca Jorge Alfredo Vega López comemora a medalha de ouro no pódio
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