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    Custo de arenas olímpicas chega a R$ 7 bi; documento segue ocultando gastos

    ITALO NOGUEIRA
    LUCAS VETTORAZZO
    DO RIO

    29/01/2016 08h49

    O custo para construção de arenas da Olimpíada chegou a R$ 7,08 bilhões, mostra a 4ª atualização da Matriz de Responsabilidades divulgada nesta sexta-feira (28) pela APO (Autoridade Pública Olímpica).

    Houve um aumento de R$ 408,1 milhões em relação à última atualização, feita em agosto. A variação se deve principalmente à inclusão da locação de geradores para energia temporária, adequação de outras instalações elétricas.

    Contudo, o documento segue não incluindo gastos de aproximadamente R$ 500 milhões, todos feitos exclusivamente em razão dos Jogos. É a mesma prática revelada pela Folha em agosto, quando foi feita a 3ª atualização.

    Custo da Olimpíada - Em R$ bilhões

    Os itens 'secretos' incluem até um local de competições. A construção do pavilhão 6 do Riocentro, local de competições de boxe, não consta da Matriz apesar de já estar sendo erguido desde setembro.

    Os gastos olímpicos fora do documento também incluem o custeio da APO e da EOM (Empresa Olímpica Municipal), a desapropriação de imóveis da favela Vila Autódromo, feita para a construção do Parque Olímpico.

    A Matriz incluiu, com atraso, a montagem das arquibancadas do Engenhão, e dos centros olímpicos de Esportes Aquáticos e Handebol. O projeto fala ainda em "outros itens" não detalhados.

    Em entrevista no início da tarde desta sexta-feira (29), o prefeito do Rio, Eduardo Paes, considerou que a matriz "é um sucesso" e que o documento está praticamente fechado, sem grandes alterações até a realização dos Jogos Olímpicos, em agosto.

    Segundo Paes, o que não está no documento é porque não é responsabilidade dos governos. A instalação temporária do vôlei de praia, em Copacabana, será bancada, segundo o prefeito, pelo comitê organizador.

    "Tudo o que não estiver ali você pode ter certeza de que passou para o comitê organizador. Achei que isso já tivesse claro", disse.

    A construção do pavilhão 6 do Riocentro, contudo, não é responsabilidade da Rio-16. Ele está sendo erguido pela GL events em acordo com a prefeitura, ao custo de R$ 50 milhões. Em troca, a empresa francesa teve a concessão da Arena do Rio quadruplicada.

    A operação é semelhante à da obra da Marina da Glória, custeada pela concessionária do local. As intervenções da sede da vela constam da matriz.

    Ainda de acordo com o prefeito, os gastos com segurança não devem entrar na matriz. Ainda que a segurança seja reforçada –no caso da Olimpíada com homens da Força Nacional, do Governo Federal–, ela não entra como gasto com obras e serviços que ficarão como legado.

    O documento, lançado em 2014, se propôs a descrever todos os gastos feitos exclusivamente em razão da Olimpíada, tais como arenas –gastos que não seriam feitos se os Jogos não viessem para o Rio.

    Além de tornar os gastos transparentes, a Matriz serve como orientador na fiscalização dos órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União).

    CUSTO TOTAL

    A Matriz de Responsabilidades descreve os gastos apenas com arenas e estruturas de apoio a elas, como energia elétrica.

    O custo total da Olimpíada inclui também a operação dos Jogos, incluso no orçamento de R$ 7,4 bilhões do comitê organizador, e as obras de legado, que somam atualmente R$ 24,6 bilhões.

    Somados, o custo vai a R$ 39,07 bilhões. Contudo, ainda não estão computados os gastos a segurança dos Jogos, que ainda não foram fechados. Estimativas apontam para uso de R$ 1 bilhão para o setor.

    O dossiê de candidatura do Rio de 2009, base para a escolha da cidade como sede dos Jogos, previa gastos de R$ 28,9 bilhões –considerando a inflação do período, equivale a R$ 45 bilhões.

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