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    Jogador dos Broncos vai de suspenso a MVP do Super Bowl

    DIEGO IWATA LIMA
    ENVIADO ESPECIAL A SAN FRANCISCO (EUA)

    08/02/2016 12h00

    Vonnie B'Vsean "Von" Miller, 26, apareceu para a entrevista pós-Super Bowl ainda vestido com seu uniforme de jogo.

    Visivelmente eufórico, o linebacker (defensor) riu quando um repórter comentou com ele a afirmação de Peyton Manning de que, naquela noite, seria ele, Miller, quem pagaria a cerveja de todos.

    "Vou pagar, então. Nós ganhamos o Super Bowl. Hoje, as regras são diferentes", afirmou o camisa 58 do Denver Broncos, pouco depois de ter sido apontado como melhor jogador da vitória do seu time sobre o Carolina Panthers, por 24 a 10, no Super Bowl 50, neste domingo (7).

    Vê-lo falar assim, em tom de brincadeira, sobre dobrar regras, chega a ser até engraçado. Afinal, não faz nem três anos, Miller teve problemas com a Justiça e com a NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos.

    Uma avaliação rotineira de perfil, quando Miller tentou comprar uma arma de fogo, apontou que ele não comparecera a uma audiência sobre um caso de condução de veículo sem habilitação, dias antes. O jogador chegou a ser detido em 2013, mas foi liberado após pagar fiança.

    A NFL, dentro de seu código penal, foi menos leniente com Miller.

    Também em 2013, o homem que pararia Cam Newton no Levi's Stadium neste domingo viu a carreira que despontara promissora, desde o seu tempo de universidade, no Texas, ficar ameaçada.

    Naquele ano, o resultado de um exame de rotina de Miller não deu positivo para nenhuma substância proibida pela liga. Mas a amostra colhida estava diluída em água, o que poderia mascarar um doping.

    O jogador pegou gancho de seis jogos pela violação. Como manda o manual de conduta da NFL, desculpou-se publicamente, admitindo ter se portado mal. Mas nunca disse que, de fato, houvera consumido alguma substância proibida.

    A suspensão de Miller até não prejudicou muito o Denver Broncos, que usara sua primeira escolha no draft (seleção entre os jogadores universitários) de 2011 para contratá-lo –a segunda no geral.

    O primeiro jogador selecionado naquele ano foi justamente Cam Newton, pelo Carolina Panthers.

    Após cumprir a suspensão, Miller voltou a tempo de ajudar os Broncos na campanha que os levou ao Super Bowl.

    Ele, porém, ficou fora do jogo decisivo, no qual seu time foi massacrado por 43 a 8 pelo Seattle Seahawks.

    Na semana 16, a penúltima antes dos playoffs, Miller rompeu o ligamento cruzado do joelho direito –vitória sobre o Houston Texans, fora de casa.

    Em 2014, Miller voltou a jogar. E foi bem, iniciando o caminho que o levaria a vencer o Super Bowl 50.

    DECISIVO

    "Estou orgulhoso de todos, mas de Von Miller em especial", disse após o jogo o técnico dos Broncos, Gary Kubiak.

    Ele tem motivos para isso.

    Seu linebacker desarmou por cinco vezes os quarterbacks adversários nos playoffs, sendo o líder das estatísticas nesse quesito.

    Só na partida final, foram dois saques e meio (a NFL atribui meio saque para cada jogador quando entende que o trabalho foi conjunto).

    O último deles foi o lance decisivo do jogo.

    Numa tentativa desesperada de manter as chances de seu time, Newton se preparou para um lançamento longo, com quatro minutos ainda no cronômetro. Mas a bola nunca saiu da mão direita do quarterback. Miller surgiu do nada e a arrancou do rival.

    Para comemorar o feito, o jogador dos Broncos colocou o braço dobrado na horizontal em frente ao seu rosto, imitando a comemoração típica do quarterback adversário e, àquela altura, já irremediavelmente derrotado.

    O touchdown que decidiu a partida foi de C. J. Anderson. Mas quem, de fato, ganhou o jogo para os Broncos foi Miller.

    O jornalista viajou a convite da ESPN

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