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    CBF paga R$ 35 mil por mês para fotógrafo de Lula

    SÉRGIO RANGEL
    DO RIO

    04/05/2016 02h00

    Marcus Leoni - 5.mar.2016/Folhapress
    SAO PAULO, SP, BRASIL, 05.03.16 12H30 Lula desce para falar com manifestantes na porta da sua casa. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, FOTO)
    Lula e Stuckert (com a câmera, à dir.) durante evento em São Bernardo em março

    Contratado como fotógrafo oficial do ex-presidente Lula logo após Dilma Rousseff tomar posse em 2011, Ricardo Stuckert recebe atualmente R$ 35 mil mensais da entidade comandada por Marco Polo Del Nero.

    O salário é maior que o de um ministro —caso Lula tome posse na Casa Civil, receberá R$ 30,9 mil mensais.

    Apesar de a CBF, que fica no Rio, bancar a maior parte dos seus rendimentos, o fotógrafo trabalha quase exclusivamente para o Instituto Lula, localizado em São Paulo.

    Nos últimos meses, ele viajou pelo país com o ex-presidente na campanha contra o impeachment.

    Já na CBF, Stuckert apareceu em evento oficial da entidade neste ano apenas na semana passada durante uma série de palestras organizadas pela confederação. Na semana anterior, a Folha havia questionado o fotógrafo sobre a sua ausência nos eventos da CBF.

    Stuckert também recebe salário pelo Instituto Lula, entidade sem fins lucrativos criada em 2011 com objetivo "de cooperação do Brasil com a África e a América Latina".

    De acordo com a investigação do Ministério Público Federal, a Cinefoto Stuckert Press Ltda ME, empresa de que o fotógrafo é um dos sócios, recebeu R$ 205.700 do instituto entre 2012 e 2014.

    O valor correspondente a R$ 5.713 mensais pagos pela entidade a Stuckert no período de dois anos.

    O fotógrafo disse que não tem contrato de exclusividade com nenhuma das duas entidades (leia mais abaixo).

    Ele foi contratado pela CBF em janeiro de 2011, logo após o final do governo Lula, num acordo entre o ex-chefe da confederação, Ricardo Teixeira, que comandava a entidade, e o ex-presidente.

    O instituto nega que Lula tenha pedido à CBF a contratação do profissional.

    Stuckert integrou a delegação da seleção na disputa da Copa América-2011, na Argentina, e nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

    No ano passado, o fotógrafo ficou fora da delegação na Copa América, no Chile, e dos jogos da seleção pelas eliminatórias.

    MARIN E DEL NERO

    Depois da renúncia de Teixeira, em 2012, Stuckert foi mantido no cargo pelos dois outros presidentes: José Maria Marin, que deixou o cargo em abril do ano passado e está em prisão domiciliar em Nova York, e Del Nero.

    Ambos são acusados de participar de um esquema de recebimento de propina na venda de direitos de competições no país e no exterior. Eles são investigados pelo FBI e pela Fifa, além da CPI do Futebol no Senado.

    Na Copa de 2014, no Brasil, Stuckert virou fotógrafo exclusivo de Marin, documentando a rotina do cartola ao longo da competição.

    Nos últimos meses, o fotógrafo se dedicou a registrar os eventos com participação de Lula na reta final do processo de impeachment contra a presidente Dilma.

    OUTRO LADO

    A CBF e o Instituto Lula confirmam que o fotógrafo Ricardo Stuckert trabalha nas duas entidades.

    Segundo a confederação, ele "presta serviços pertinentes à função para a qual foi contratado: edição de fotografia, planejamento e execução de projetos especiais, cobertura de eventos especiais, como Olimpíadas e Copa do Mundo, e curadoria de exposições fotográficas".

    Já o Instituto Lula afirmou que o fotógrafo "presta serviço através de empresa constituída" e que "não há exigência de exclusividade".

    "O trabalho dele está presente na internet e é utilizado por muitos veículos da imprensa brasileira, inclusive a Folha de S.Paulo", informou o instituto em nota.

    Stuckert também diz não possuir contrato de exclusividade com nenhuma entidade. "Como é de conhecimento público, presto serviços à CBF, cumprindo as funções, conforme estabelecido pela entidade, como fotógrafo e editor de imagens de fotografia", afirmou por e-mail.

    Stuckert disse que também presta serviços ao Instituto Lula "por meio de empresa legalmente constituída" e que declara no Imposto de Renda todos os seus rendimentos.

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