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    Rival do Corinthians, Pottker não lamenta negócio desfeito pelo clube

    LUIZ COSENZO
    ENVIADO ESPECIAL A CAMPINAS

    12/03/2017 02h00

    Há 35 dias, Willian Pottker, 23, deixava o gramado do estádio Moisés Lucarelli sob vaias da torcida da Ponte Preta. O motivo era uma iminente transferência para o Corinthians, algo que poderia ser um trampolim para a carreira de um jogador que estava na lista de dispensa do Figueirense no início de 2016.

    Neste domingo (12), o camisa 9 do time de Campinas volta ao local para enfrentar justamente a equipe que o fez sentir a ira de sua torcida e três dias depois desistir da contratação por um erro de comunicação. O encontro está marcado para as 16h, pela oitava rodada do Paulista.

    "Foi um momento de felicidade e ao mesmo tempo turbulento. Foi um período onde pensei que estaria indo para uma grande equipe e ao mesmo tempo não queria ir pelas circunstâncias da negociação", disse Pottker.

    Thiago Calil/Photo Press/Folhapress
    William Pottker (esq.) comemora gol sobre o Botafogo-SP
    William Pottker (esq.) comemora gol sobre o Botafogo-SP

    A transferência melou depois que ele atuou pela Ponte Preta em jogo da primeira fase da Copa do Brasil.

    O clube da capital desistiu da negociação porque não se pode atuar por mais de uma equipe na mesma competição, ou seja, o centroavante não poderia jogar pelo Corinthians no torneio.

    Na época, Flávio Adauto, diretor de futebol do Corinthians, afirmou que o acordo ficou inviável após o jogador ser "utilizado numa competição na qual também estamos". Ele se transferiria após a disputa do Paulista.

    Uma semana depois, Pottker assinou contrato com o Inter por quatro temporadas. O valor da negociação girou em torno de R$ 5 milhões.

    "Não guardo mágoa do Corinthians, mas posso afirmar que fiz uma boa escolha e a Ponte Preta também. A diferença da negociação é que o Inter apresentou um projeto."

    "Representantes do clube sentaram comigo e mostraram o que pretendiam. Do Corinthians, não recebi uma ligação. Todos os clubes deveriam agir como o Inter, que conversa com o jogador para saber o real interesse dele. O Inter está na Série B, mas é coisa passageira", afirmou.

    Filho de pai pedreiro e de mãe faxineira –ela deixou de trabalhar no final do ano passado–, o atacante procura ajudar a família. No entanto, na mesma medida em que incentiva seus sete irmãos cobra para que eles possam se virar sozinhos no futuro.

    "A gente vive para poder ajudar os outros, para dar as mãos e ajudar as pessoas. Mas temos que saber dosar, já que não é todo mundo que pensa como você. Meus irmãos precisam ter uma profissão e não vão poder depender de mim para sempre. A vida é para se viver, mas sem regalias", disse.

    Com a mesma serenidade e foco que trata de sua carreira, Pottker se comporta fora das quatro linhas. Para alcançar suas metas, o jogador utiliza um método de motivação pouco usual no futebol.

    "Eu sempre procuro colocar no teto do meu quarto os meus objetivos. Quando acordo, olho e mentalizo."

    "Em 2015, mentalizei que faia cinco gols no Estadual e consegui. No Brasileiro, mentalizei e pus no papel que ia fazer dez gols e consegui 14. Tenho meus objetivos, sei que não vou alcançar sempre, mas procuro mentalizar", disse Pottker sem revelar qual o próximo objetivo que escreveu no teto de seu quarto.

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