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    Campeonato Brasileiro 2017 - Série A

    Brasileiro começa com o dilema: priorizar ou não a competição?

    PAULO VINICIUS COELHO
    COLUNISTA DA FOLHA

    13/05/2017 02h00

    Diego Padgurschi/Folhapress
    Chapecoense é um dos times da Série A que mais pode jogar partidas nesta temporada
    Chapecoense é um dos times da Série A que mais pode jogar partidas nesta temporada

    O presidente do Atlético-MG, Daniel Nepomuceno, telefonou no início da semana para seu colega do Flamengo, Eduardo Bandeira. No meio da conversa, Nepomuceno brincou: "Vocês precisam entrar com time misto contra nós. Prioridade é a Libertadores". Bandeira respondeu: "Não! Vamos poupar na Copa do Brasil. No Brasileiro, vamos com tudo."

    O torneio de pontos corridos começa neste sábado (13) e, pela primeira vez, será disputado simultaneamente com os dois outros objetos de desejo dos grandes clubes: a Copa do Brasil e a Libertadores.

    Nunca houve um campeão das três competições no mesmo ano. Vencer o continental e também o principal torneio nacional no mesmo ano faz remontar ao Santos de Pelé.

    Em 1962 e 1963, o Santos ganhou duas vezes a Taça Brasil -hoje unificada pela CBF ao Brasileiro. Mas ganhou a Libertadores em junho de 1962 e só disputou a final da Taça Brasil em janeiro do ano seguinte. Em 1963, a Libertadores acabou em novembro e o título nacional veio em janeiro de 1964, válido pela temporada anterior.

    O Flamengo, de Zico, ganhou a Libertadores disputada simultaneamente com o Estadual do Rio, quando este ainda valia muito. "Não havia revezamento. Queríamos jogar todas, porque o elenco era bom e ninguém queria dar mole. E a premiação aumentava de acordo com o número de partidas", diz Júnior.

    O Flamengo venceu a Libertadores em 23 de novembro, o Campeonato Estadual em 6 de dezembro e o Mundial uma semana depois. Na final do Estadual, havia dez campeões mundiais, mas o desgaste provocou derrota para o Vasco por 2 a 0 na primeira partida decisiva.

    "Não acredito que algum clube consiga vencer a Libertadores e também o Brasileiro. O desgaste atual é muito grande", opina Júnior.

    O presidente do Atlético-MG, Daniel Nepomuceno, pensa diferente. Julga que desta vez é mais provável a conquista de duas competições simultâneas porque o desgaste da Libertadores diminuirá no segundo semestre. Diferente da fase de grupos, com partidas semanais e pouco descanso, haverá uma fase por mês até a decisão, em 29 de novembro.

    As oitavas de final começam em julho e só terminam em agosto. As quartas serão em setembro, as semifinais em outubro e a decisão em novembro, com dois jogos.

    "Difícil era quando se iniciava o Brasileiro no meio do mata-mata da Libertadores. Aí era preciso priorizar", afirma Nepomuceno.

    O contraponto vem do presidente do Corinthians, Roberto de Andrade. "É difícil dizer o que vai acontecer, mas claro que disputar a Libertadores e o Brasileiro ao mesmo tempo tem um desgaste."

    Há o ingrediente do cansaço. Tem clube que já disputou 30 partidas em 2017. É o caso da Chapecoense, que pode alcançar 90 se jogar todas as competições até o final. O Corinthians já atuou 28 vezes, Flamengo e São Paulo 26, Palmeiras 21 e Santos 20.

    Quem avançar na Libertadores pode terminar a temporada com 78 compromissos. É o caso do Palmeiras. Como comparação, o Real Madrid terminará o ano com 60 partidas e a Juventus com 56.

    Dos que tentaram ganhar dois grandes títulos no mesmo semestre, o Cruzeiro de 2014 foi quem mais chegou perto. Ganhou o Brasileiro e foi vice da Copa do Brasil.

    Jogar paralelamente o Estadual e a Libertadores já deu resultado. O Santos venceu os dois em 2011. Vencer o continental e o Brasileiro é o desafio desta temporada.

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