• Esporte

    Wednesday, 08-May-2024 00:12:33 -03

    'Não é porque tenho cabelos brancos que vão me respeitar', diz Jair Ventura

    ALEX SABINO
    DE SÃO PAULO

    16/08/2017 02h00

    Vitor Silva/SSPress/Botafogo
    Jair Ventura. Botafogo x Cruzeiro pela Copa do Brasil na Arena Botafogo. 01 de Setembro de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto:Vitor Silva/SSPress/Botafogo.
    Jair Ventura orienta jogadores do Botafogo durante jogo pela Copa do Brasil

    O treinador de 38 anos sabe o momento da afirmação. Foi quando deixou de ser, para os olhos da maioria, o filho de Jairzinho, o Furacão da Copa de 1970, para ser Jair Ventura, técnico do Botafogo.

    Efetivado no cargo no ano passado, ele consegue tirar o máximo de um clube de recursos financeiros limitados.

    Está nas quartas de final da Libertadores. Nesta quarta (16), às 21h40, comanda o time contra o Flamengo, pelas semifinais da Copa do Brasil. Um rival que investiu muito em reforços e tem, ao lado do Palmeiras, o elenco mais caro do futebol nacional.

    Em entrevista à Folha, Ventura descarta a experiência como medidor da competência, contesta quem o vê como técnico de ascensão meteórica e sonha com um título de expressão pelo clube em que seu pai, um dos maiores atacantes da história do futebol brasileiro, fez história.

    *

    Folha - Você levou o Botafogo às quartas da Libertadores e à semifinal da Copa do Brasil. Até onde esse time pode chegar?
    Jair Ventura - Não penso para frente. Posso garantir a performance. Não posso garantir o resultado. A única coisa que é possível garantir é que a gente vai dar o máximo em campo. Tem sido assim desde que eu assumi, no ano passado. Quando você trabalha honestamente e dá o seu melhor, o melhor acontece.

    Se o resultado não é o mais importante, como medir o sucesso do seu trabalho?
    Vamos continuar assim e no final do ano a gente vai ver.

    Você vai enfrentar na semifinal o elenco mais caro do Brasil, ao lado do Palmeiras. O seu time tem futebol sólido, mas não chega perto de ser caro como o do Flamengo. Dinheiro faz diferença?
    Ajuda em qualquer segmento da vida. Se você vai abrir um restaurante e investir R$ 16 milhões e o meu vale R$ 3 milhões, tem tudo para o seu restaurante dar mais certo que o meu. No futebol não é diferente, só que não é uma ciência exata. Quando começa o jogo, não há discrepância salarial.

    É uma questão de vontade?
    Eu sempre digo para os atletas que o rival não pode ter mais vontade que a gente. De alguma maneira, nós vamos igualar esses jogadores caríssimos que vamos enfrentar e fazer isso com uma equipe organizada, de muita entrega. É assim que conseguimos levar o Botafogo longe.

    A impressão é que os jogadores acreditam cegamente no que você fala.
    Eu sou um cara simples. Falo a verdade sempre. Os maiores responsáveis são os jogadores. Eles compram a ideia e executam da melhor maneira. Não resolve nada eu ter grandes ideias se eles não acreditarem. São os jogadores quem deixam a última gota de suor em campo.

    Por seu pai ser quem é, o título do Botafogo valeria mais do que por outros clubes?
    Não tem como dizer que não é importante. Tenho carinho enorme pelo Botafogo. Seria muito importante coroar esses nove anos de casa com um título. Mas não posso ser incoerente porque falei que penso jogo a jogo. Quem sabe com essa filosofia não vamos chegar ao grande momento?

    Você é um técnico jovem. Idade pesa para comandar?
    Zero. Idade não pesa nada. [Ser jovem] É até facilitador por eu estar mais próximo da realidade que eles vivem hoje. A gente pensa igual.

    Vocês pensam igual, mas o treinador não pode agir igual.
    Eu me preparei por 12 anos. Essa é a diferença. Meu primeiro clube foi em 2005.

    Preparou-se como?
    Estudei. Foram nove anos como auxiliar-técnico, treinador do sub-20, auxiliar na seleção brasileira sub-15, sub-17 e sub-20, fiz cursos de gestão, psicologia, coaching, outros idiomas... Falo inglês e francês. Sou um cara que busco estudar e me aprimorar não só como profissional, mas como pessoa. Isso me dá chance de ajudar meus atletas. Não é porque eu tenho cabelos brancos que vão me respeitar. Eles vão comprar minhas ideias se eu for um cara sincero.

    A impressão é que as pessoas te veem em um grande clube e não sabem o quanto ralou?
    Parece que foi rápido, né?

    Você hoje é visto como Jair Ventura, não apenas como o filho do Jairzinho?
    Sim. Carrego peso grande por ser filho dele e por ter jogado futebol. Parei com 26 anos. Eu era atacante. As comparações eram inevitáveis.

    Como técnico é mais fácil?
    É outra função. Eu busquei meu espaço. Saí de casa aos 16 anos. Poderia hoje ser apenas o filho do Jairzinho e cuidar de algumas situações para ele, o que já seria maravilhoso. Agradeço a Deus todos os dias por essa bênção que Ele me deu. Mas eu fui buscar meu espaço. Primeiro como jogador e agora como treinador. Ainda estou apenas engatinhando.

    Você disse que te incomoda a presença de técnicos estrangeiros, como Reinaldo Rueda, contratado pelo Flamengo.
    Problema não é o Reinaldo Rueda. O que me incomoda é ver a desconfiança que os treinadores brasileiros encontram no exterior. Não tenho nada contra técnicos estrangeiros trabalhando no Brasil.

    NA TV
    Botafogo x Flamengo
    21h45 - Globo, SporTV e Fox Sports

    RAIO-X

    Nome
    Jair Zaksauskas Ribeiro Ventura

    Nascimento
    19.mar.1979 (Rio de Janeiro)

    Clubes como jogador
    São Cristóvão, Bonsucesso, Bangu, Mulhouse (FRA), Mesquita, Madureira, América-RJ

    Clubes como auxiliar
    Botafogo, seleção brasileira sub-17 e CSA

    Clubes como técnico
    Botafogo

    Edição impressa

    Fale com a Redação - leitor@grupofolha.com.br

    Problemas no aplicativo? - novasplataformas@grupofolha.com.br

    Publicidade

    Folha de S.Paulo 2024