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    Gryner fez carreira na Globo e filme da Copa-94 antes de se aliar a Nuzman

    DE SÃO PAULO

    06/10/2017 02h00

    Jotta de Mattos/Photo Press/Folhapress
    O ex-diretor de operações da Rio 2016, Leonardo Gryner, é preso por suspeita de intermediar a compra de votos de integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Ele foi preso em casa, nesta quinta-feira (5), no Leblon na zona sul.
    O ex-diretor de operações da Rio-2016, Leonardo Gryner, chega à sede da Polícia Federal

    Nos últimos 22 anos, Leonardo Gryner, 64, tornou-se o típico fiel escudeiro de Carlos Arthur Nuzman, 75.

    Onde quer que o presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil) se encaminhasse, no país ou no exterior, tinha ao seu lado o conterrâneo.

    Também foi assim na campanha e na realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro.

    Nesta quinta-feira (5), os cariocas mantiveram-se unidos em um desfecho menos glorioso. Foram presos operação da Polícia Federal e dividirão cela em presídio na zona norte do Rio.

    A trajetória dos dois se fortaleceu no início da década de 1980, enquanto Nuzman ganhava relevo na presidência da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e Gryner ascendia na hierarquia das Organizações Globo.

    O cartola e a rede viam no vôlei um produto interessante –parceria que se consolidou nas décadas seguintes– e a aproximação foi rápida.

    Em 1983, Gryner chegou ao posto de diretor de esportes do canal. Esteve à frente de negociação de direitos de transmissão de megaeventos como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos e reformulou e criou programas.

    No início dos anos 1990, passou a diretor de marketing esportivo, cargo em que permaneceu por um ano.

    Depois, ainda atuou como consultor da FIVB (Federação Internacional de Vôlei).

    Na época, Nuzman, que era vice-presidente do COB, articulava para se tornar o mandatário da entidade.

    Viu em Gryner, já um velho conhecido e tido como discreto e eficiente, um bom nome para assumir suas operações de marketing.

    Assim, em 1995, enquanto o cartola comemorava a vitória na eleição, seu braço-direito era contratado para encabeçar a entidade.

    Não sem antes protagonizar um fato curioso.

    Formado em matemática e pós-graduado em administração esportiva, mas fã de cinema, o executivo aproveitou sua experiência em televisão para atuar como produtor no documentário "Todos Os Corações do Mundo", filme oficial da Copa do Mundo de 1994, nos EUA.

    PROJETOS PARALELOS

    Nos anos subsequentes ao seu ingresso no COB, Gryner abriu ao menos duas empresas de promoções, marketing e eventos esportivos.

    Uma delas, em parceria com Nuzman, foi a Olympo Marketing e Licenciamento, criada para prestar serviços ao COB, o Comitê Organizador do Pan Rio-2007 e a candidatura do Rio para os Jogos Olímpicos de 2012.

    Em consulta ao site da Receita Federal, é possível ver que a empresa está inativa há quase dois anos.

    Se a candidatura para a Olimpíada de 2012 não deu certo, para a de 2016 Nuzman indicou Gryner inicialmente para diretor-geral.

    Depois, já durante o processo de preparação, destacou-o para a direção de operações, posição que ocupou até o evento, em 2016. O diretor-geral foi o empresário Sidney Levy.

    Nuzman e Gryner agora devem dividir cela com outros dois detentos na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, no Rio.

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