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    Rio espera resposta da Casa Daros sobre resgate público

    SILAS MARTÍ
    DE SÃO PAULO

    22/05/2015 02h30

    Uma pista sobre o destino da Casa Daros pode chegar nesta sexta (22), de Zurique. Na última semana, quando o centro cultural no Rio anunciou que fecharia as portas em dezembro, após dois anos em atividade, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) encontrou dirigentes da instituição e ofereceu ajuda financeira para evitar que ela chegasse ao fim.

    Christian Verling, presidente do conselho da coleção suíça responsável pelo espaço, ficou de levar a proposta de resgate à sede da empresa e retornar agora com uma possível resposta.

    De acordo com a prefeitura, valores não foram discutidos. Verling disse à Folha que o "custo Brasil" havia levado à decisão de fechar a Casa Daros. Ainda segundo ele, a instituição espera que o casarão em Botafogo reformado a um custo de R$ 67 milhões seja assumido por outra empresa, mas continue funcionando como um centro cultural.

    Nesta semana, o conselho do patrimônio museológico do Instituto Brasileiro de Museus, órgão do Ministério da Cultura, divulgou uma nota pedindo que, caso a decisão de fechar a Casa Daros fosse mesmo definitiva, a coleção suíça cedesse o edifício para o poder público, que então se encarregaria de ocupar o espaço com um novo museu.

    Uma das ideias em debate é que a coleção de João Sattamini, hoje no Museu de Arte Contemporânea de Niterói – que está fechado para reformas–, seja transferida para lá.

    Mas talvez seja cedo para especular sobre o futuro quando o presente ainda não foi digerido. Comprado por R$ 16 milhões em 2006 e reformado ao longo de sete anos, o casarão foi inaugurado em 2013 como centro cultural e funcionou só por dois anos com recursos privados, sem recorrer a leis de incentivo.

    Depois de realizar cerca de 20 exposições e se tornar um dos endereços mais potentes da cena carioca, a Casa Daros anunciou que fecharia as portas alegando dificuldades financeiras, mesmo estando ancorada numa das maiores fortunas da Suíça, a da família Schmidheiny, dona da empresa de material de construção Eternit, entre outros negócios.

    Estabelecida há 15 anos por Ruth Schmidheiny, a coleção Daros tem 1.200 obras de 117 artistas de toda a América Latina, 19 deles brasileiros. É considerado um dos maiores acervos privados de arte dessa região em todo o mundo.

    No dia 12 de maio, Schmidheiny, na condição de dona da coleção Daros, enviou uma carta lacônica aos artistas, dizendo que sua empresa passaria a "explorar novos horizontes" e que a decisão de fechar o espaço no Rio, ao qual se dedicou "de corpo e alma", não foi algo simples.

    Essa mensagem chegou ao Rio um dia depois que a Justiça italiana reabriu um processo contra Stephan Schmidheiny, ex-marido de Ruth e um dos idealizadores da coleção Daros, acusado de causar a morte de 258 operários por intoxicação com amianto nas fábricas da Eternit na Itália.

    Ele fora absolvido em novembro passado, quando o delito teria prescrito, mas o caso foi restabelecido em 11 de maio no rastro de uma revolta popular na Itália, algo que pode levar o empresário para atrás das grades e a pagar indenizações milionárias.

    Verling e outros dirigentes da Casa Daros insistem em desvincular Stephan Schmidheiny da instituição, mas, segundo arquitetos que trabalharam na reforma do imóvel no Rio, o empresário começou como sócio do espaço e depois tomou distância do projeto.

    De acordo com pessoas ligadas à implementação da Casa Daros, o afastamento de Stephan Schmidheiny, com uma fortuna avaliada em R$ 9 bilhões, coincidiu com uma mudança brusca de rumos na empreitada, levando à saída de Paulo Mendes da Rocha, primeiro arquiteto escalado para a reforma, e à opção por um plano mais modesto.

    Segundo a Folha apurou, Ruth passou a trabalhar com um orçamento menor, perdeu poder frente ao conselho e, sem o apoio do ex-marido, acabou cedendo a pressões para fechar a Casa Daros.

    Enquanto a situação se agravava na Europa, o centro cultural passou a demitir figuras importantes de sua equipe, como a diretora administrativa Isabella Rosado Nunes, o diretor do programa educativo Eugenio Valdés e o curador Hans-Michael Herzog, maior idealizador da coleção.

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