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    Marco do cinema brasileiro, 'Limite', de Mário Peixoto, não gerou linhagem

    GUILHERME GENESTRETI
    DE SÃO PAULO

    27/10/2015 02h00

    É um paradoxo: "Limite" (1931), frequentemente apontado como o filme mais importante do cinema brasileiro, é uma obra sem linhagem.

    O longa que Mário Peixoto (1908-92) rodou aos 22 anos criou furor na época de seu lançamento, teve a cópia deteriorada por volta dos anos 1950, sumiu, foi tachado de filme burguês pela "intelligentsia" do cinema novo e só voltou a lume nos últimos anos.

    A Cinemateca exibe nesta quarta (28) cópia restaurada do filme, na programação da Mostra de Cinema de SP.

    Narrado em flashbacks, "Limite" aborda a história pregressa de três pessoas angustiadas que se encontram num barco à deriva. Peixoto costumava dizer que o filme nasceu de uma revolta contra seu pai, sem dar detalhes.

    "Limite", filme de Mário Peixoto

    Dessa revolta resultou uma obra que flerta com a tradição do expressionismo alemão de F. W. Murnau ("Nosferatu"), mas que não deixou muitos herdeiros no Brasil.

    "Cacá Diegues diz que, se 'Limite' não tivesse sumido por tanto tempo, talvez o cinema brasileiro tivesse tomado outro rumo", afirma o diretor Joel Pizzini, que conheceu Mário Peixoto. "É um contraponto ao cinema narrativo: é um filme de poesia."

    Pizzini prepara o roteiro de um longa, "Mundéu", ficção inspirada no universo de "Limite". Seu curta anterior, "Mar de Fogo", única produção brasileira no Festival de Berlim deste ano, já dialogava com o filme de Peixoto –e será exibido na mesma sessão, na Cinemateca.

    A produção de Mário Peixoto é também a única obra brasileira restaurada pela Film Foundation, entidade capitaneada por Martin Scorsese.

    "É surpreendentemente madura e provocante", disse Scorsese à Folha. "[É] tecnicamente inovador, de um expressionismo cheio de imaginação."

    Divulgação
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    O diretor Mário Peixoto (1908-1992), em retrato sem data

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