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    Não haverá diálogo ou negociação, diz Ocupa MinC a ministro da Cultura

    LUIZA FRANCO
    DO RIO

    29/05/2016 16h02

    O movimento Ocupa MinC repudiou declarações que o novo ministro da Cultura, Marcelo Calero, deu em entrevista à Folha na última quinta-feira (26).

    Na entrevista, Calero disse que iria dialogar com os ocupantes de prédios ligados ao MinC. O movimento reafirmou que não haverá diálogo.

    Há ocupações em todas as capitais do país, segundo o movimento. Ele pede a saída do presidente interino, Michel Temer, e repudia qualquer iniciativa de negociação com o governo.

    "Não haverá diálogo, conciliação ou negociação com quem trate com um governo golpista. Não há república, democracia ou governo instituído, quando o voto da população é violentado com um golpe", diz a nota do movimento.

    Calero disse à Folha que não haverá pedido de reintegração de posse dos edifícios. No entanto, afirmou que, em algumas ocupações —que se recusou a nomear—, há casos de dano ao patrimônio e uso de drogas. Nesses casos, disse ele, o MinC trabalhará para garantir que os edifícios mantenham suas funções.

    Em reação a essa declaração, o Ocupa MinC afirmou: "Nosso movimento é nacional e unificado. Apoiamos e defendemos todas as ocupações brasileiras, e não vamos aceitar diferença de tratamento entre as mesmas."

    Calero também afirmou na entrevista que Temer tomou a atitude de um "grande líder" ao reconstituir o MinC. Quando assumiu, o presidente interino extinguiu a pasta e fez dela uma secretaria sob a guarda do Ministério da Educação, que passou a se chamar Ministério da Educação e da Cultura. Após pressão de artistas, Temer recuou e recriou a pasta.

    Para o Ocupa MinC, "chamar um presidente golpista de 'grande líder' é oportunismo."

    *

    VEJA A NOTA NA ÍNTEGRA

    "Nota de repúdio do Ocupa MinC RJ contra declarações de Marcelo Calero em entrevista ao jornal Folha de São Paulo:

    Primeiramente, #ForaTemer.

    Não haverá diálogo, conciliação ou negociação com quem trate com um governo golpista.

    Não há república, democracia ou governo instituído, quando o voto da população é violentado com um golpe. Esta é a verdadeira gambiarra.

    Não temos líderes, temos vozes.

    É bom lembrar que o Palácio Gustavo Capanema não é apenas um prédio da Funarte, e sim do Ministério da Cultura. Estamos re-significando a função social deste espaço, não só no sentido da funcionalidade e da inserção da sociedade civil, mas transformando-o em um território de luta contra o retrocesso e a restrição de direitos promovidos por este governo ilegítimo, incluindo a nova reformulação do ministério.

    Nosso movimento é nacional e unificado. Apoiamos e defendemos todas as ocupações brasileiras e não vamos aceitar diferença de tratamento entre as mesmas.

    Não há coerência em um discurso contra o machismo, a homofobia, a xenofobia e pactuar com um projeto de governo golpista que assumiu de forma arbitrária, causando um desmonte de setores e instituições essenciais do Estado brasileiro como Saúde, Cultura, Direitos Humanos, Mulheres, Igualdade Racial, Povos Indígenas, Desenvolvimento Agrário, Previdência, Ciência e Tecnologia, Empresa Brasil de Comunicação,__ além da extinção da Controladoria-Geral da União - CGU._

    Chamar um presidente golpista de "grande líder" é oportunismo. Queremos uma república de fato e de direito.

    A luta pela democracia não tem data para terminar.

    #NãoÉSóPeloMinc
    #OcupaMinc
    #OcupaTudo
    #ForaCunha"

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